Três Cubanos no Exército Vermelho

Quando ouvimos falar de Cuba, logo vem em nossa mente um pais comunista com pouca distribuição de renda. Mas nem sempre foi assim, no período da Segunda Guerra Mundial, devido sua localização estratégica, Cuba foi um dos principais países para o Teatro de Guerra do Atlântico. Também foi um dos primeiros países da América Latina e Caribe a entrar em guerra com o EIXO.

Fora a contribuição com bases estadunidense, contribuição com sua marinha de guerra contra os submarinos alemães e a exportação de açúcar, da qual iremos abordar aqui em breve, Cuba também teve três de seus cidadãos lutando na Segunda Guerra Mundial pelo Exército Vermelho Russo.

Em 1934 os irmãos Aldo e Jorge Vivó, acompanhados do amigo Enrique Villar, chegaram em Ivanovo para estudar no Internato Internacional Elena Stásova. Segundo relatos de Jorge Vivó, a Russia se tornara seu segundo la, foram muito bem tratados, aprenderam o idioma e tudo mais.

Aldo Vivó

Aldo na época tinha o desejo de servir a Marinha, então entrou para a Faculdade de Engenharia Mecânica Escola de Navegação de Engenharia Naval de Leningrado, já seu irmão Jorge fez o mesmo no Instituto de Medicina.

Logo que começaram os ataques nazista a URSS, no dia 22 de junho de 1941, durante um jogo de futebol, Jorge Vivo e alguns amigos foram interrompidos pelo famoso discurso de Vyacheslav Molotov sobre a eclosão da guerra, então o Jovem passou de campo diretamente para o escritório de recrutamento com a ideia de ir para a frente imediatamente, que aconteceu já no dia 25 de junho, quando partiu com mais 50 voluntários de Moscou para o Front.

Jorge Vivo no túmulo de seu irmão Aldo.

Jorge e seu grupo onde a grande maioria era de jovens espanhóis, tinham a função de agir na retaguarda inimiga como guerrilheiros, seu trabalho era cortar a linha de suprimentos do exercito alemão, chegaram a descarrilhar inúmeros trens com armamento e combustível para a linha de frente.

Em dezembro de 1941 o grupo de Jorge sofreu um ataque inimigo, dos 50 guerrilheiros, somente 8 sobreviveram e o cubano foi um deles, fora ferido e evacuado para Leningrado, então se tronou o único latino americano a participar do cerco e viver para contar a história.

Já Aldo não teve tanta sorte, após tentar varias vezes se alistar, finalmente foi aceito como um soldado na Segunda Divisão da Milícia da Guarda Popular de  Leningrado. Após 10 dias do seu irmão mais velho ser enviado para a frente de combate, foi a vez de Aldo ir pra o front, participou de pesados combates contra o exercito alemão na região de Pulkovo, depois foi enviado para operar na Região do Rio Nevá. Em 1943, Aldo Vivó pertencia ao Departamento Político do 53º Exercito na região da Neva e no mesmo ano, por causa de um ataque aéreo, tombou em combate enquanto cumpria uma missão.

Aldo Vivó

Anos mais tarde, o Conselho de Estado de Cuba concedeu a Ordem Ernesto Che Guevara Primeiro Grau para Aldo e a URSS concedeu-lhe a Ordem da Grande Guerra Patriótica.

Já Enrique Villar o terceiro cubano, nascido em 1925 foi enviado para o internato aos 7 anos, depois a prisão de seu pai e a insatisfação e insegurança de sua mãe. Quando chegou aos 17 anos, Villar se alistou no Exército Vermelho e foi enviado para a Escola Especial em Moscou, onde recebeu treinamento militar e mais tarde foi nomeado chefe do pelotão de infantaria, após o qual solicitou ir para a frente de combate, no outono de 1944 seu pedido foi aceito e foi enviado para a segunda frente da Bielo-Rússia.

Enrique Villar

Nas noites de 29 e 30 de janeiro de 1944, seu pelotão de 12 soldados participaram do combate para tomar Fürstenau (atualmente Kmiecin) na Prússia Oriental. Todos morreram.

Seus restos descansam no Cemitério Militar Russo Braniewo na Polónia, juntamente com outros 31.236 soldados soviéticos que combateram nessa região e foram mortos entre 1944-1945. Villar Também foi premiado post mortem pela URSS com a Ordem da Guerra Patriótica, e pelo Conselho de Estado da República de Cuba, com Ernesto Che Guevara Ordem de primeiro grau.

 

 

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