A Defesa de Alagoas na 2ª Guerra Mundial

Segue abaixo uma copilação de um texto que achei interessante a divulgação, o mesmo foi postado originalmente no site História de Alagoas.

Militares de alta patente do Brasil visitam a base dos blimps em Maceió em 1944

pós os ataques a navios mercantes brasileiros na costa nordestina, no início de 1942 o Brasil declarou guerra à Alemanha e a Itália e tomou várias medidas para a defesa do país, principalmente do chamado Teatro de Operações do Nordeste.

O general Mascarenhas de Moraes, que tinha assumido o comando da 7ª Região Militar em junho de 1940, analisava que o Nordeste tinha uma posição estratégica por ser uma encruzilhada de rotas mundiais, um verdadeiro “trampolim da vitória”.

Oficial de Ligação Vernon Walters do V Exército Americano, General Mascarenhas de Moraes (no centro) e o General Aliado Harold Alexander. Foto da FGV – CPDOC)

A partir da 7ª Região Militar, com abrangência nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, Mascarenhas de Moraes inicia uma mobilização geral que envolvia a ampliação das Forças Armadas e a adoção de uma economia de guerra. Com a ajuda militar dos EUA, logo os sete estados nordestinos ampliam seus efetivos militares de um pouco mais de seis mil homens para 50 mil.

Em Alagoas, que tinha somente o 20º Batalhão de Caçadores, este efetivo era de quinhentos homens. Após a declaração de guerra, esse número foi ampliado para dois mil homens, graças a instalação em Alagoas do 22º BC e do grupo de artilharia II/4º R.A.M., que foi transportado de Itú, São Paulo e aqui chegou no dia 15 de outubro de 1942. Foram instalados no prédio da antiga fábrica de tecidos Santa Margarida, na esquina da Av. da Paz com a Rua Mato Grosso, em Jaraguá.

Quartel do 20º BC na Praça da Faculdade

O 22º BC ficou alojado nos galpões construídos pelas forças americanas às margens da Lagoa Mundaú. O 20º BC ocupava, nesta época, o prédio onde depois funcionou a Faculdade de Medicina, no Prado

Estes efetivos e o NPOR, que foi criado em seguida, passaram a constituir o ID/7 (Divisão de Infantaria), uma grande unidade de comando de Oficial General. O Quartel General foi instalado na casa nº 1390 da Av. da Paz, onde funcionou depois uma casa de saúde infantil. Na casa vizinha, onde depois residiu Dalmo Peixoto, funcionava a aparelhagem de rádio escuta das forças americanas, que atuavam utilizando os famosos blimps. O capitão Harold Wholer comandava a guarnição de dirigíveis com 200 homens .

A unidade deblimps em Maceió tinha três aeronaves e foi implantada no dia 16 de fevereiro 1943. Foram os galpões construídos pelos americanos no Tabuleiro para abrigar estes dirigíveis que deram origem ao Aeroporto dos Palmares. No Vergel do Lago, galpões semelhnates depois foram doados para abrigar famílias pobres.

Quartel do 20º BC na Praça da Faculdade

Para distribuir as forças envolvidas na defesa, o ID/7, comandado pelo General Demerval Peixoto, dividiu a costa alagoana em dois sub-quarteirões. O Norte, com sede em Porto de Pedras, ficou com o controle do 22º BC, comandado pelo coronel Vilaranga Fontenele. Tinha a seguinte distribuição de tropas: uma companhia com secção de metralhadoras em Porto de Pedras e sete núcleos de vigilância espalhados por Barra de Santo Antônio, Barra de Camaragibe, São Miguel dos Milagres, Tatuamunha, Japaratinga Maragogi e Barra Grande. Cada núcleo recebia um grupo de combate de 15 homens.

Soldados alagoanos do Núcleo de Vigilância do Pontal do Coruripe. Foto da família do soldado Augusto Zeferino de Souza

O sub-quarteirão do Sul, com sede em São Miguel dos Campos, era responsabilidade do 20º BC, comandado pelo coronel Manoel Cândido Fernandes. Cabia ainda ao 20º BC a defesa do Porto de Jaraguá em Maceió. A sede, em São Miguel dos Campos, abrigava uma companhia de fuzileiros com secção de metralhadoras. Os outros núcleos de vigilância estavam localizados nas praias do Pontal da Barra, Barra de São Miguel, Pontal do Peba, Pontal do Coruripe e Barra do São Francisco.

Baleeira e soldados alagoanos no Pontal do Coruripe. O nome do grupo era uma homenagem ao vapor brasileiro torpedeado pelos alemães na costa alagoana. Foto da família do soldado Augusto Zeferino de Souza

Participação da sociedade civil

A mobilização da sociedade civil era coordenada pela Defesa Passiva Antiaérea, ligada ao Ministério da Justiça e que em Alagoas tinha como assistente geral o Dr. Lourival Melo Mota. Sua tarefa era preparar a população para possíveis ataques aéreos. Vários exercícios de blackout foram realizados em Maceió para esse fim.

Outra contribuição expressiva veio do Aeroclube de Alagoas. Os teco-tecos da organização presidida por Aloísio Freitas Melro foram utilizados em muitas tarefas e missões, fazendo transportes de urgência ou cobrindo os deslocamentos de comboios ao longo do litoral.

A criação do NPOR em Alagoas

A crescente convocação de reservistas com formação universitária terminou por mobilizar os estudantes alagoanos para que fosse criada uma escola de Oficiais da Reserva. No dia 26 de julho de 1942, líderes estudantis enviaram telegramas ao Ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra, e ao Chefe do Estado Maior do Exército, general Pedro Aurélio de Góes Monteiro, cobrando a criação do curso em Maceió.

Prédio onde funcionou o NPOR e depois o TRE-AL. Foto de 1962.

No dia 12 de setembro do mesmo ano foram criados os Núcleos de Preparação de Oficiais da Reserva em Maceió, João Pessoa e Teresina. Em Alagoas, era uma subunidade do 20ª BC. O capitão Mário Lima foi nomeado Instrutor-Chefe no dia 16 de setembro e a inauguração aconteceu no dia 30 de outubro. O NPOR se instalou no casarão da esquina da Praça Sinimbu com a Rua do Imperador, onde hoje está o prédio do TRE-AL e antes tinha funcionava a Saúde Pública.

Por iniciativa do NPOR e organizado pelo aluno Josué Júnior, foram realizados vários shows militares, oferecendo espetáculos para os soldados espalhados pelas praias de Alagoas. Durante as apresentações havia a distribuição de jornais, revistas, cigarros, biscoitos e outros brindes.

O novo quartel

Como resultado do esforço de guerra, também foi construído o novo quartel do 20º BC em Maceió. O general Mário Lima registrou que foi formada uma comissão para escolher o novo local e que três áreas foram analisadas.

A primeira foi em Jacarecica, onde depois funcionou o Clube da Polícia Militar. A segunda opção foi a de construir o quartel ao lado da Escola Agrícola Floriano Peixoto em Satuba. A escolha recaiu sobre uma área do Farol que, à época, não tinha sequer uma rua nas suas proximidades. A região era ocupada por sítios de veraneios e os bondes só chegavam até a atual Rua Goiás.

Quartel do 20 BC, no Farol, logo após a construção

Rádio Rosa da Fonseca

Outra iniciativa que também teve a participação de Josué Júnior foi a instalação da Estação Radiofônica Rosa da Fonseca, a PYX-1, que funcionava em ondas curtas. Foi instalada no 1º andar do Quartel da Força Policial do Estado às 16 horas do dia 18 de agosto de 1942. A Rádio Rosa da Fonseca teve vida curta. Funcionou somente até setembro daquele mesmo ano.

Foi montada graças à iniciativa do tenente do Exército Clóvis Sabóia e destinava-se a promover a Campanha dos Metais, necessária ao esforço de guerra. Seu locutor principal era o acadêmico da Faculdade de Direito de Alagoas José de Souza Campos.

Fonte:http://www.historiadealagoas.com.br/a-defesa-de-alagoas-na-2a-guerra-mundial.html

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