Ex-pracinha e italiana se conheceram durante a 2ª Guerra Mundial

Para os amigos que conhecem, ou até para os que não conhecem a canção Mia Gioconda vai se emocionar com o artigo escrito pelo amigo e jornalista Marcelo Monteiro para o Jornal Zero Hora.

João Pedro e Iole estão casados há quase sete décadas

por Marcelo Monteiro

João Pedro e Iole casaram-se por procuração – ele, em Porto Alegre, ela, em Pescia, na Itália Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

 

Em julho de 1945, o governo brasileiro realizou uma festa de recepção aos combatentes, no Cassino da Urca, no Rio. Entre os convidados estava o cantor Vicente Celestino, que entre goles de uísque e champanhe deliciava-se com as histórias de heroísmo reveladas pelos pracinhas. Até que um relato, que nada tinha a ver com bravura ou abnegação no campo de batalha, lhe chamou a atenção.

Entre lágrimas, o atirador de elite João Pedro Paz, de 23 anos, contava ter deixado na Itália o grande amor de sua vida. Ele e Iole, então com apenas 17 anos, conheceram-se em um baile vespertino, em um local chamado Cinema Garibaldi, na localidade de Pescia, em março de 1945.

João estava de folga e decidira ir à cidade em busca de diversão, na companhia de dois companheiros de farda. Assim que a orquestra iniciou a execução de Moonlight Serenade, de Glenn Miller, os olhares dos dois se cruzaram, e João tirou-a para dançar. Foi o início de um namoro avassalador, que só seria interrompido no retorno da FEB ao Brasil. Antes do embarque, mesmo acreditando ser impossível trazer Iole ao Brasil, João prometeu buscá-la para que ambos pudessem casar-se.

– Não nos entendíamos com as palavras, mas apenas com o olhar – lembra Iole.

Em vídeo, conheça a história do casal:

A história sensibilizou Vicente Celestino, que compôs a canção Mia Gioconda, narrando o drama vivido por João e Iole, separados por um oceano e por milhares de quilômetros. “Vencido o inimigo / que antes fora varonil, / recebeu a FEB ordem de embarcar para o Brasil. / Dizia a mesma ordem: quem casou não poderá / levar consigo a esposa, a esposa ficará“, dizia uma das estrofes.

– Pensava que nunca mais iria vê-la. A despedida foi uma coisa muito triste, comovente – conta João, hoje com 92 anos.

Nascido em Caçapava do Sul e registrado em Cachoeira do Sul, João cresceu e foi criado em Porto Alegre. Três meses após a volta ao Brasil, o pracinha recebeu uma carta de Iole, que contava estar grávida. A história causaria comoção na cidade, a ponto de um jornalista da extinta Folha da Tarde iniciar uma campanha para arrecadar fundos e bancar a vinda de Iole.

Os dois casaram-se por procuração – ele, em Porto Alegre, ela, em Pescia. Meses depois, Iole chegou ao Brasil para viver o seu grande amor, que já dura sete décadas. O filho Pedrinho, que tinha apenas três meses quando atravessou o Atlântico com a mãe, morreu aos 12 anos. Além dele, o casal ainda teve outra filha, Ana Maria.

VÍDEO: por trás da reportagem

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/proa/noticia/2014/07/ex-pracinha-e-italiana-se-conheceram-durante-a-2-guerra-mundial-4560059.html

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