Missão de Reconhecimento Próximo a Montese.

Segue abaixo um relato interessante de um veterano da Força Expedicionária Brasileira na Itália Major Benno, infelizmente já falecido.

Era de tardezinha e o Major de operações do regimento, chamou:

  • Eu quero um sargento voluntário para uma operação perigosa.

Eu levantei a mão e me apresentei, entrei na barraca dele e a missão era reconhecer uma casa amarela no ponto cotado 927. Reconhecer a casa, chamar uma companhia que está a uns 800 metros atrás para ocupar a posição de ataque, que ocorrerá no dia seguinte.

Desenho de Kelly Swann - https://combatart.wordpress.com/2014/03/16/scene-sketch-2/
Desenho de Kelly Swann – https://combatart.wordpress.com/2014/03/16/scene-sketch-2/

Isso ocorreu na entrada de Montese.

Essa missão já havia sido entregue a outro sargento, mas ele tinha saído num jipe e na hora da partida da patrulha, ele não tinha retornado. Quando eu ia saindo com a patrulha, o Major de operações disse:

  • Sargento Beno, não precisa mais, o Sargento Edson Sales chegou e já tem a missão.

Mas, quando a patrulha se afastava, o major acrescentou:

  • O Sargento Beno tem que ir junto à patrulha como interprete, se fizer algum prisioneiro.

Nós não havíamos chegado a 60 metros da casa, e saiu granada, tiro de morteiro, rajada de metralhadora de lá.  A primeira rajada que saiu matou o comandante da patrulha. Neste momento a patrulha quis se dispersar – eram 16 homens -, eu não permiti, pois conhecia a missão, (caso não a conhecesse, teria que dispersar junto com os demais), então eu disse:

  • Nós vamos cumprir a missão. Vamos ocupar a casa e chamar a companhia que esta atrás.

Avançamos. Eu liguei para o comandante da companhia pedi para soltar um very-light sobre a casa, e ordenei à patrulha:

  • No primeiro very-light só apontar, no segundo: fogo!

vet-feb-caInformei ao comandante da companhia, “terminando um very-light, solte outro”. Abriu o primeiro very-light, vimos dois alemães no canto da casa amarela. Abriu o segundo, e uma rajada nossa aniquilou os alemães – eles não esperavam o segundo very-light.

Nós ocupamos a casa, reconhecemos todo o terreno em volta, em seguida chamei o comandante da companhia que avançou e finalmente ocupou posição para o ataque do dia seguinte.

Benno Armindo Schirmer
Ex-combatente da FEB

Originalmente postado no site: http://segundaguerra.net/cronicas-de-guerra-reconhecer-a-casa-amarela/

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