Relato de Horror por um Soldado Brasileiro

Como sabemos bem, o Brasil participou da Segunda Guerra Mundial com uma Força Expedicionária e com a FAB no Teatro de Guerra Italiano, lá os brasileiros enfrentaram tropas alemãs já veteranas em combate, fizeram prisioneiros e etc… etc… etc…

Hoje mais de 70 anos já se passaram, a maioria dos veteranos já se foram para sua ultima morada, e mesmo assim dia a dia surge novas histórias, relatos, cartas, imagens, livros entre outras coisas para conhecermos um pouco mais sobre o tema.

O texto abaixo esta para mim entre essas novidades, eu encontrei no site www.mauxhomepage.com/geraldomota e achei interessante compartilhar com os amigos e leitores, porque nele podemos ver toda tragédia de uma guerra, a narrativa é curta mas a impressão é imensa.

Imagem ilustrativa.

A vinte metros do posto onde estou, há duas padiolas bastante ensangüentadas, visivelmente mostrando pedaços de carne humana; mais adiante, roupas de soldados americanos e brasileiros tingidas de sangue destes heróis que jazem no cemitério, ou talvez ainda estejam agonizantes no Hospital de Pistóia (…) Subo ainda mais o morro e chego a uma contra-encosta, numa casa que está paralelamente destruída. Cautelosamente a investigo com curiosidade. Eis o que vi dentro dela: num pequeno quarto, que suponho ter sido um posto médico de emergência, vejo numa mesa muito ensangüentada, gaze e algodão hidrófilo, também ensangüentados, dando um aspecto de que ali alguém lutara para salvar vidas agonizantes. Prossigo o meu lúgubre passeio. Ao descer uma baixada, de súbito, encontro uma cova com três pernas humanas insepultas, talvez não enterradas por falta de tempo dos que não sobreviveram. O que fiz com muito esforço, ajudado por um companheiro. A dez metros, donde estou, vejo uma árvore frondosa, cujo tronco, mostra vestígios de sangue e alguns fragmentos de carne humana, e a uns dois metros além, está um braço e a metade duma coxa.(…) O que mais me horrorizou, caro leitor, foi ver um corpo sem cabeça, parecendo que um estilhaço de granada cortou-a, jogando-a tão longe, que eu e meu companheiro, ao sepultar o corpo, procuramo-la e não a encontramos. Depois de termos procurado bastante a cabeça daquele cadáver, que era alemão, o meu companheiro, que é muito espirituoso, disse: -Tedeschi portato via, per fare mangiare. Afinal, ao regressarmos a nossos postos, encontro um cadáver, que suponho ser de um oficial alemão, com o peito crivado de balas de metralhadoras. Estava ele debruçado por cima de uma fotografia, que creio ser da sua esposa, porque mostrava uma mulher sentada com dois garotos ao seu lado. Volto para minha posição um pouco constrangido por ter sido testemunha de quadros dum horror sem par. Assim é a guerra que faz retumbar a sua voz através dos campos de batalha da velha Europa. Se eu escrevi algo que vos produziu sensações de horror, perdoai-me caro leitor.

Nilton Costa 11º Regimento de Infantaria retirado do livro “Vida e Luta de um Pracinha”, que infelizmente não sei o nome do autor.

No votes yet.
Please wait...

Written by 

Deixe uma resposta