“TRÊS HERÓIS BRASILEIROS” – Geraldo Baeta da Cruz

Geraldo Baeta da Cruz
Nascimento: 21/07/1916
Cidade: João Ribeiro
Estado: Minas Gerais
Regimento: 11RI
Companhia: Destacamento de Saúde
Posto: Soldado
História:
Era filho de Antônio José da Cruz e de Maria da Conceição da Cruz. Geraldo Baêta era enfermeiro cirúrgico, pertencente ao Destacamento de Saúde. Tinha a nobre missão de amparar aqueles que tombavam na área de sacrifício, prestando-lhes o apoio médico imediato.

Foram três vidas que, por um acaso do destino, se cruzaram no dia 22 Set 1944, a bordo do transporte Norte Americano “Gen. M.L. Meigs” rumo à distante Itália, onde já se encontrava o 1.º Escalão da Força Expedicionária Brasileira. Chegaram ao Porto de Nápoles, às 07:30 horas do dia 6 Out 1944, de onde partiram, no dia 9, para o Porto de Livorno. Três dias depois estavam desembarcando e seguindo para a chamada “Staging Area”, localizado a oeste da cidade de Pisa ( Vila Rosare ). No dia 1.º de dezembro de 1944, o 11.º RIE entrava em linha, sendo considerado em combate.
Lá estavam, três filhos do Brasil, três brasileiros simples, comuns, de vida sofrida e que estavam dispostos a tudo para o sacrifício maior, que ainda estava por vir.
Foi então que chegou o dia 14 Abr 1945, dia do ataque a Montese, o combate que viria a ser, o mais sangrento que a FEB participaria. Dia inesquecível para muitos que ainda vivem. E lá estavam eles, Arlindo Lúcio, Geraldo Rodrigues e Geraldo Baêta. Três soldados do Brasil unidos pelo destino. Três glórias nacionais! TRÊS QUE PARECIAM CEM!
Durante o ataque a Montese, o pelotão, ao qual faziam parte ARLINDO, GERALDO e BAÊTA, foi detido por violenta barragem de morteiros inimigos, enquanto uma metralhadora alemã hostilizava violentamente o seu flanco esquerdo, obrigando os atacantes a se manterem colados ao solo. Não tendo mais possibilidades de sair do local, nossos três heróis ficaram desgarrados de sua fração. Mas não temeram! Imediatamente, o Soldado ARLINDO, atirador de fuzil automático, localiza a resistência inimiga e num gesto de grande bravura, gesto esse de um menino acostumado a enfrentar as dificuldades da vida que levara até então, levanta-se, localiza a resistência inimiga e sobre ela despeja seis carregadores da sua arma, obrigando-a a calar-se.
Geraldo e Baêta não param de atirar. Eram três pracinhas contra uma tropa de grande número. Tropa essa que pensava estar enfrentando uma outra de efetivo igual ou superior ao seu, pois os intrépidos brasileiros não paravam de atirar. Atiraram até a munição acabar. ARLINDO é ferido mortalmente por um franco atirador inimigo, enquanto GERALDO é atingido por um cruel estilhaço e BAÊTA recebe um tiro certeiro…
De repente, o silêncio se fez presente…
E sobre o solo lá estavam três corpos empunhando seus fuzis… Fuzis que estavam com as baionetas caladas, demonstrando que nossos heróis partiram para o assalto, mesmo sabendo que iam encontrar a morte breve…Morte que os fez descansarem da vida difícil e dura que sempre tiveram lá no Brasil…
O comandante alemão, observando os três corpos já sem vida, reconheceu neles o sacrifício… Nunca vira tamanha demonstração de coragem! E, deixando seu orgulho prussiano de lado, mandou que seus homens cavassem três covas rasas e, pegando alguns pedaços de madeira, fez uma cruz e nela escreveu: ” DREI BRASILIANISCHE HELDEN “, que em português quer dizer: “TRÊS HERÓIS BRASILEIROS”.

Após o ataque a Montese, na conferência do efetivo, o Pelotão dos três soldados imolados estava incompleto…Muitas baixas… Muitos feridos… Muitos desaparecidos… E entre esses desaparecidos estavam eles… enterrados pelo inimigo em três covas rasas…
ARLINDO, em sua última carta que escreveu na véspera de sua morte, nos dizia que em breve ele estaria de regresso para rever o seu querido Brasil, pois sentia próxima a vitória das armas da justiça e da liberdade. Deus achou melhor chamá-los ao céu, nossa verdadeira Pátria, onde não há tristezas, onde a dor não pode entrar…
Fonte: http://www.legiaodainfantaria.eb.mil.br/htm/feb-3heroisbrasileiros.php

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