Guarnição da Ilha de Trindade durante a Segunda Guerra

A Ilha de Trindade é um pedaço do Brasil no meio do Atlântico, localizada a 1200 km de distancia de Vitória-ES cujo território é pertencente. Na ilha esta localizado um posto oceanográfico mantido por militares da Marinha.

Durante a Primeira Guerra Mundial, foi travada nas proximidades, uma encarniçada batalha entre cruzadores alemão e britânico. Onde o britânico saiu vencedor.

Com a eclosão da Segunda Guerra, e os variados ataques feitos em navios mercantes na costa brasileira por submarinos alemães, as forças armadas se viram obrigados a defender sua toda sua costa e suas ilhas, sendo a Ilha de Trindade guarnecida pelos fuzileiros navais, isso devido a grande demanda de homens do exercito tanto nos campos da Itália como na defesa da costa.

A ilha foi guarnecida de 1941 a 1945, sendo enviado para a ilha todo tipo de material necessário para sobrevivência dos soldados, entre os principais estão as casas de madeiras, estação de rádio, usina geradora, armamentos e etc…

A base era formada por 7 casas de madeira  que eram identificadas como casado do comando, posto médico, posto de rádio, casa dos sargentos, dois alojamentos para os soldados e o paiol.

As baterias de fogo eram instaladas em locais estratégicos, onde foram montadas bases de concretos para apoiar os armamentos. Fora as baterias eram realizadas patrulhas dia e noite. Seus uniformes eram chapéu de palha, bermuda e seu rifle a tiracolo.

A alimentação dos homens era feitas não somente por rações diárias, mas também por verduras plantadas na região e também por viveres como bode, galinhas e etc…

Um dos poucos relatos de veteranos que encontrei é este citado abaixo, irei colocar na integra conforme encontrei, com a sua fonte:

Eduardo Lessa

Eduardo Lessa, nasceu no dia 16 de março de 1923, no município de Coruripe, Estado de Alagoas. Filho de Aurélio da Trindade Lessa e Carolina Couto Lessa, teve 15 irmãos e desde de pequeno demostrava-se atencioso e dedicado à família. Aos 7 ou 8 anos, meu avô já ajudava seu pai na roça e na pesca. O que era cultivado na plantação que tinha no pequeno sítio em que moravam, era consumido pela família e parte era vendido ou trocado por produtos que lhes faltavam, na feira popular da região e o mesmo era feito com o peixes que traziam  das águas de Coruripe.

Aos 17 anos, Eduardo Lessa viajou de navio para o Rio de Janeiro, com o objetivo de se alistar e servir a Marinha. Ao chegar no RJ, se alistou, mas foi reprovado no teste de visão e ficou na reserva. Mas pouco tempo depois foi convocado pois o Mundo se encontrava num clima muito tenso e tinha sido declarada a Segunda Guerra Mundial.

O comandante de Mar e Guerra da Marinha brasileira, responsável pelo quartel em que meu avô era incorporado, convocou os fuzileiros navais do seu batalhão e perguntou qual deles aceitariam a missão de proteger durante 4 meses, um importante ponto estratégico do território brasileiro: a Ilha da Trindade, pertencente ao Estado do Espirito Santo na região Sudeste do Brasil. Meu avô e outros fuzileiros aceitaram a missão.

Eles viajaram no ano de 1942, programados para que a missão durasse 3 meses e acabaram passando 6 meses e 14 dias no total. O comandante do meu avô recebeu a informação do Brasil, de que as tropas que iriam rendê-los na ilha, não podiam chegar atá eles, pois, os navios estavam sendo torpedeados e naufragados pelos inimigos ,  era muito arriscado qualquer manobra de troca de guarda. O comandante do meu avô com a voz embargada pediu para que a tropa  racionasse água e comida até a chegada dos novos militares na Ilha.

Nesse período em que ficaram na ilha, meu avô passou por situações bem complicadas e verdadeiras aventuras. Ele contava sobre os porcos do mato, que uma vez atacaram um de seus colegas fuzileiro; de que na ilha existia uma antiga prisão abandonada; os militares tiveram que caçar e pescar para se alimentarem;  Uma história interessante era a da cabritinha “Negrita”. Ele falava rindo para mim sobre a cabrita que perdeu a mãe quando ainda mamava e os militares acabaram criando ela. O vô falava que a cabrita comia da mesma comida que eles e que quando eles deitavam-se no chão do acampamento era só chamar: Negrita..! Negrita..! E lá vinha ela correndo e deitava junto a eles. Meu avô dava gargalhada quando me contava essa história.

Mas nem tudo era alegria, eles sofreram muito, angustiados por não saberem o que poderia acontecer, sem poder sair daquele lugar. racionando água e comida. Até a chegada da ordem para o retorno do navio de guerra.

Eduardo Lessa, ocupando seu posto
dentro do Navio Escola
Almirante Saldanha

Após 6 meses seu retorno foi autorizado e iniciaram a viagem de volta. Meu avô falou que um de seus colegas fuzileiro estava doente e acabou morrendo no navio. Como estavam em alto mar e não tinha como armazenar o corpo no navio devido a infecções que poderia ser transmitidas pela decomposição. Foi dada a ordem pelo comandante para que se fosse feito um caixão improvisado e amarraram correntes no corpo para ser jogado no oceano e afundasse. O vô falava que nunca tinha visto um “enterro” em alto mar, ao som da banda militar do navio.

Outro fato que nunca esqueci meu avô contando, foi quando encontraram um náufrago, num bote salva vidas  à deriva no oceano. Quando resgataram o homem acharam que já estava morto, até que os marinheiros perceberam que ele conseguia mexer o olhos. O náufrago sobreviveu, também era um militar e seu navio tinha sido torpedeado por submarino inimigo.

Eduardo Lessa participou da Segunda Guerra Mundial e graças a Deus… nunca precisou usar sua arma. Mas cumpriu seu dever com muita honra e coragem, arriscando sua vida para proteger nossa nação.

Postagem Original: http://segundaguerra.net/brasil-na-segunda-guerra-guarnicao-da-ilha-de-trindade/

Fonte:
http://motivacaosuperacao.blogspot.com.br/2013/02/meu-avo-eduardo-lessa.html
http://www.avcfn.com.br/

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