Contratorpedeiro Classe M no Brasil

A classe M de navios contratorpedeiros, condutores de flotilha foram construídos no Brasil entre 1940 e 1941, no AMIC (Arsenal de Marinha da Ilha das Cobras), para prover meios a esquadra que possuía certa dificuldade de defesa contra ataques de submarinos alemães nos comboios mercantes.  O projeto deriva de uma classe de navios Us Navy, conhecida como Class Mahan.

A esquadra brasileira quando foi despachado o estado de beligerância contra as nações do eixo. Era composta pelos seguintes meios. A esquadra antiga que datava dos idos de 1908 ate 1917, um navio tanque de 1924 e a nova flotilha de três submarinos de origem italiana de 1937, contando assim ao todo 38 meios navegáveis em um lote de 75.000 toneladas. Houve nos primeiros anos do conflito uma solicitação a Inglaterra para envio de mais 6 corvetas e negociadas 26 unidades de vários tipos e mais um Lead Lease do governo americano contando 24 outras unidades homogêneas, ou seja navios do tipo contratorpedeiros e caça submarinos de aço e madeira, “famosos caças pau”.

17392985_1416079215130752_674385578_nOs três contratorpedeiros da classe M ou Marcilio Dias possuíam 1.500 toneladas. Sendo Batizados de Marcilio Dias M1, Mariz e Barros M2 e Greenhalgh. Esta classe construída no Brasil. Havia também outras classes sendo construídas aqui que se chamaram Classe “Amazonas” e seis corvetas da classe “C” Camocim e demais navios como monitores fluviais e caça submarinos de 130 toneladas.

A organização de material e maquinas dentro os estaleiros cariocas ficou a cuidados totais de engenharia e obras pela empresa Henrique Lage ao qual já era uma grande indústria naval no Rio de Janeiro.  Quando o governo americano assinou acordos com o governo brasileiro o mesmo tratava-se de receber apoio de unidades navais já prontas como navios caça- submarinos, conhecidos como caça ferros. E outra parte do tratado remetia a construção de navios e maquinas de apoio.  A partir deste tratado os estaleiros cariocas começaram a realizar alterações de alguns navios para uso de escolta, pois era crescente e violenta a onda de ataques de submarinos a navios mercantes no atlântico sul.

17496241_1416071128464894_260194048_nA marinha mercante brasileira já havia perdido ate final do conflito 1,200 pessoas entre marinheiros e passageiros dos navios das empresas Cia Costeira de Navegação, Cia Nacional Navegação e Lloyd Brasileiro. No inicio de novembro de 1940 foi posto em marcha o primeiro comboio brasileiro, ao qual composto de três navios que seguiam para Estados Unidos. Este era composto de escolta brasileira ate Recife PB. Devido ao a violência das manobras dos alemães a escolta que era composta pelos navios, Almirante Saldanha, Buri e Piauí foram entregue a navios americanos, devido às condições de navegabilidade e operacionalidade de meios como radar, e sonar.

Comboios

42734A Marinha de Guerra do Brasil durante seu período do conflito esteve sob responsabilidade, da quarta esquadra americana. A esquadra brasileira oficialmente foi descomissionada em 1943. Para fazer parte das manobras da campanha do atlântico sul. Foi criado pelos americanos grupos de força tarefa ou (Task Force) ao qual a marinha era grupo 47 e a Força Aérea Brasileira grupo 46 que realizava patrulha aérea e atacava submarinos. O grupo 47 da marinha era comandada pelos almirantes Soares Dutra e Ary Parreiras. Ambos eram comandantes habilidosos e apaixonados pelo mar. Porem havia uma diferença no conjunto de como era o comando e seus comandados. O almirante Soares Dutra era inflexível, disciplinado e fervoroso em sua missão. O que gerava desconforto entre seus subordinados. De outra parte o Almirante Ary Parreiras era aventureiro, habilidoso e extremamente zeloso em suas fainas. Esse fator psicológico é importante descrever, pois a rotina a bordo era muito desgastante. Geralmente a marinha realizava a escolta com poucos recursos materiais no navio e também para os marinheiros. Os navios não possuíam sistemas de tratamento de agua potável, não possuía 17474836_1416071138464893_421962771_nsistema de armazenamento de alimentos o que fazia com que a tripulação se alimentasse de carnes secas e aipim. Os banhos eram somente com agua do mar e entretenimento a bordo não existia ao longo dos seis dias de viagem em que era constante a “ordem de postos de combate” para defender 15 a 20 navios sem luzes e silencio de radio total, navegar sob lua era proibido. Outro fator que a marinha americana proibiu era uso de corvetas brasileiras por serem lentas e apresentava muito má navegabilidade. Era constante falha de maquinas e leme. A natureza dos comboios abrangia entre 8 e 4 km de raio e navio escolta teria que ter velocidade para navegar em “zig zag” e alcance de sonda o que muitas vezes não se tinha o próprio equipamento ou era instalado e manuseado de forma não padrão correto.

Por esses motivos muitas vezes alguns armadores dos navios mercantes precisavam cumprir transporte sem escolta. Por falta de navios escolta ou navios suficientes para comboio. Os mercantes tinham que fazer “Navegação Escoteira”, termo não oficial de cunho de marinharia ao qual navio precisa navegar rente a costa e sem proteção. Muitas vezes sucedidos porem navegavam com certa imprudência ao navegar ao largo de recifes e aguas rasas. Alguns foram mortalmente atingidos por torpedos alemães. Para resolver essa questão a marinha logo tratou de iniciar as obras dos seus novos navios.

Contratorpedeiro Marcilio Dias

A classe Mahan era novidade nos anos 30 na questão de navios contratorpedeiros, estes navios são elo de engenharia com que logo os Estados Unidos começariam a fabricar em serie e seria sucesso histórico de navios conhecidos como Classe Fletcher ao ponto de serem considerados destroieres.

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O trabalho no Marcilio Dias já começava com problemas de maquinário no Brasil para sua construção, porque o seu casco e superestrutura era feita com solda, uma novidade na época que usava os rebites entre chapas. No Brasil só havia quatro maquinas de solda no estaleiro de Henrique Lages. No final da guerra aqui ficaram mais de cem unidades. Outro ponto que teve muita dificuldade era armar e equipar o navio com radio e demais sensores na época ainda chamados de rádios. Devido a restrição de comboios e a urgência de navios, o governo americano solicitou que os próprios navios quando prontos navegassem ate estaleiros de Nova York para instalarem seus sistemas de fogo e controle, além de testes de navegabilidade.

17439877_1416071161798224_659496378_nAprovados e armados esses navios voltavam ao Brasil escoltando mercantes com unidades americanas. Na primeira viagem o navio Marcilio Dias M1 ao largo da florida encontra mar com força oito na escala Beaufort, mar forte para muito forte com ondas de quase 10 metros, varriam o navio de bombordo para boreste, a fim de evitar danos o navio sob comando de Renato Guillobel ordena maquinas no telegrafo que ficassem a um terço avante para reduzir a velocidade ate 8 kts (nos) para evitar impacto de onda. Neste evento veio a falecer o Sargento Jose Luiz da Silva. E foi neste evento que uma onda quase virou o navio chegando este a ficar inclinado no seu eixo lateral ate 43 graus. O limite de projeto previa um limite de 45 graus para que navio não virasse movimento de roll.

Os navios desta classe efetuaram escoltas já mais ativas e com considerável aptidão da tripulação que já se tornava mais experiente com uma maquina de nível melhor do que havia. Logo Marcilio Dias e suas naves irmãs realizavam escoltas do primeiro destacamento da FEB Força Expedicionária Brasileira ate a Itália e do segundo destacamento também. Quando terminou a guerra o navio Mariz e Barros foi modernizado e disparou primeiro míssil de um navio no Brasil o Seacat isso já nos anos 60. O Greenhalth também fora modernizado e todos os três navios já cansados tiveram mostra de desarmamento no inicio dos anos 70. Fizeram parte da primeira Esquadra de contratorpedeiros da Marinha do Brasil e foram uma escola para mais tarde entrar navios mais modernos ate dias atuais. Os navios americanos classe Mahan foram usados no teatro do pacifico.

C a r a c t e r í s t i c a s

Deslocamento: 1.500 ton (padrão), 2.200 ton (carregado).
Dimensões: 104 m de comprimento, 10.7 m de boca e 3.7 m de calado.
Propulsão: vapor; 4 caldeiras Babcock-Wilcox; 2 turbinas a vapor G.E. gerando 42.800 shp, acopladas a dois eixos.
Velocidade: máxima de 36.5 nós.
Raio de ação: 6.000 milhas náuticas a 15 nós.
Armamento: 5 canhões de 5 pol./38 (127 mm) em reparos singelos; 4 canhões Bofors L/60 de 40 mm em dois reparos duplos; 8 metralhadoras Oerlikon de 20 mm em reparos singelos; 3 reparos quádruplos de tubos de torpedos de 21 pol. (533 mm); 2 calhas de cargas de profundidade Mk 3, 4 projetores laterais do tipo K Mk 6 para cargas de profundidade Mk 6 ou Mk 9 e dois geradores de fumaça Mk 4.
Eletricidade: Gerador de 30 Kva, tensão Corrente Continua 110 Volts para uso geral.

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