Um Pratico que viu o Windhuk entrar no Porto de Santos

Durante a Segunda guerra, muitas coisas interessantes aconteceram no território brasileiro e em suas aguas, tivemos torpedeamentos de mercantes, tivemos campos de concentração, nazistas atuando no sul do pais e etc…

Um desses acontecimentos foi a chegada do navio alemão Windhuk ao porto de Santos, o mesmo estava em viagem da costa africana para a Argentina, quando recebeu ordens para atracar no porto de Santos-SP devido as intensas patrulhas britânicas.

Nessa época o Brasil ainda não estava em guerra com os países do eixo, após a declaração de guerra o porto de Santos era zona de guerra, a noite tinha blackout total as embarcações circulavam todas apagadas, nem um cigarro podia ser aceso.

Em uma pesquisa feita na internet encontrei os relato abaixo de um pratico* Gerson da Costa Fonseca, que trabalhou no porto na época da guerra, e irei copiar e colar deu depoimento publicado pelo site www.portogente.com.br em 11/09/2006

“Durante a Segunda Guerra Mundial, a partir do momento em que o Brasil entrou no conflito, o Porto de Santos foi declarado “zona de guerra”. A Cidade vivia às escuras. O legendário navio misto Windhuk(canto do vento, em tradução livre do alemão) foi apreendido no porto. Quem o avistou pela primeira vez foi o prático aposentado Gerson da Costa Fonseca, em 7 de dezembro de 1939. Gerson recorda que viu o Windhuk chegar camuflado com as cores japonesas, com o nome de Santos Maru e hasteando na popa (ré) a bandeira do Japão.

 

Naquele tempo, as comunicações via rádio eram muito deficientes. Por isso, a Praticagem mantinha no Monte Serrat um serviço de atalaia. Munido de binóculo, o atalaiador localizava o navio entrando na barra e, por telefone, comunicava a sua chegada aos práticos que ficavam na Ponta da Praia.

 

Em 1939, o Gerson já tinha sido aprovado no exame para prático da barra, mas enquanto não abria vaga no quadro (esperou 11 meses) trabalhava como atalaiador.

 

Ele não tinha muita experiência e, por isso, não desconfiou quando viu o enorme navio chamado Santos Maru se aproximar com as cores e a bandeira japonesa. O seu companheiro, entretanto Mario Azevedo, não titubeou em classificar o navio como da marinha mercante alemã.

 

Gerson diz que ele examinou a embarcação pelo binóculo e confirmou: ‘É o Windhuk, aposto’.

 

Por pouco – Até que o navio alemão teve sorte, prossegue o ex-prático. Ele lembra que, naquela época o Brasil ainda não estava na guerra, mas todo o Atlântico Sul já era patrulhado por cruzadores e destróieres ingleses, na caça de submarinos e navios mercantes alemães.

Gerson diz que, assim que o navio alemão entrou na Baía de Santos, ele viu se aproximando, na Ponta dos Limões, um contratorpedeiro da Marinha britânica. O ex-prático afirma que o navio de guerra inglês teria capturado o moderno navio misto (de cargas e passageiros), se já não estivesse praticamente nas águas do porto.

Aliás, Gerson garante que a ordem para procurar o Porto de Santos foi dada pelo Estado Maior alemão. O Windhuk havia saído de Lobito (Angola), em direção à Argentina, mas no meio do oceano recebeu a ordem de evitar Buenos Aires e, também, Montevidéu (Uruguai).

 

Em Santos – o transatlântico alemão, que tinha capacidade para 540 passageiros, não encontrou nenhuma dificuldade no início. O prático Antônio Reis Castanho Filho, pai do prático Ismael Castanho, entrou com a embarcação até o cais do Armazém 18.

Cerca de 40 passageiros desembarcaram. Dias depois, sem receber nenhuma carga, foi rebocado para a área de fundeio perto do Canal e Bertioga, aguardando instruções da Alemanha.

O seu comandante não se atrevia a voltar para o mar aberto, que era policiado até o Rio da Prata pelos cruzadores ingleses Ajax, Exeter Achilles.

Quando o Brasil declarou guerra os 240 tripulantes foram levados para campos de concentração.

Um outro detalhe interessante é que em 1939, com o início da guerra, a Praticagem passou a ser administrada pela Autoridade Marítima Brasileira, chamando-se Corporação de Práticos. O serviço era considerado de segurança nacional e os funcionários tornaram-se reservistas navais.

*Pratico: É um profissional habilitado pela Marinha do Brasil e que possui o conhecimento das águas em que atua, com especial habilidade na condução de embarcações, devendo estar perfeitamente atualizado com dados sobre profundidade e geografia do local, o clima e as informações do tráfego de embarcações. É também o responsável pelo controle e direcionamento dos rumos de uma embarcação próxima à costa, ou em águas interiores desconhecidas do seu comandante. fonte: wikipedia

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