Ten. Carlos do Prado Campos – Um Héroi Asa Branca da FAB.

Segue abaixo uma autobiografia enviada pelo amigo Flavio Campos, ela foi escrita pelo seu avô em 1992 quando tinha 72 anos.

No texto ele cita sua passagem pela Segunda Guerra Mundial, e aproveitamos para adicionar as imagens postadas no Fórum Contato Radar pelo mesmo Flávio para ilustrar.

Ten. Carlos do Prado Campos – Autobiografia

Meu nome é Carlos do Prado Campos. Nascer, nasci em 1920. Morrer, morri n’algum ano seguinte.

Turma completa da FAB da qual ele fazia parte (o “Eu” é o próprio Carlos do Prado Campos)

Meu pai era Manoel Ferraz de Campos e minha mãe Emerenciana Prado Campos. Fiz o curso primário no Grupo Escolar Pedro Leite, era Diretor o Mestre Alfredo Galdino Dias e minha mãe foi minha Professora nos quatro anos do curso, de 1927 a 1931. De 1932 a 1935 frequentei o Ginásio Marista Sagrado Coração de Varginha. As séries seguintes, fi-las no Ginásio Santo Antônio de São João Del Rei onde me diplomei em 1938.

Pilotos da US Navy e da FAB em frente a um Grumman F4F Wildcat (O Carlos está indicado pela seta, sendo a escrita dele mesmo)

Trabalhei na Loja do Sr. Mazico (Iramaia Luiz do Prado) durante o ano de 1939. Em 1940 fui para o Rio de Janeiro e trabalhei com o Sr. José da Silva Ferreira Filho (Zequinha do Nestor) na Companhia de Produtos Lex S.A..

Conhecendo as armas que deveriam evitar, as baterias anti-aéreas.

Em 1941 fiz o Curso de Piloto Aviador no Aeroclube do Brasil e recebi o Brevet nº 984. Em 1942 frequentei a Segunda Turma de Piloto Instrutor (monitores), do referido Aeroclube. Naquele mesmo ano o Brasil declarou guerra ao eixo Alemanha-Itália e apresentei-me voluntário à FAB. Em fevereiro de 1943 fui para os EE.UU. (Estados Unidos da América ) e fiz aperfeiçoamdento na U.S. Navy (Marinha Norte Americana) em fevereiro de 1944 fui diplomado “Naval Aviator” juntamente com o Tyrone Power e Robert Montgomery e outro (aquela época o menos votado) o atual Presidente dos Estados Unidos, George Bush.

Canhão de 88mm, com Ten. Carlos (terceiro da esquerda para a direita, olhando de “canto de olho”)

Formamo-nos, então, os ” Top Guns” da Segunda Grande Guerra Mundial.

Em março de 1944 comandei os quatro primeiros Catalinas PBY-5, hidro-aviões de bombardeio e patrulha chegados ao Brasil. Participei de missões de guerra e cobertura de comboios norte-americanos ( Convoy – Coverage ) que singraram águas brasileiras do Atlântico de passagem para África, Europa e Oriente Médio. Terminada a Guerra Mundial, em maio de 1945, fui condecorado pela Força Aerea Brasileira com as medalhas de combate “Cruz de Aviação” e “Campanha do Atlântico Sul”.

Pose junto com o “arrasa quarteirão”:

Voltei para minha querida Paraguaçu e em outubro de 1945 casei-me com Célia Benedetti e desse casamento vieram meus amados filhos. Atualmente com (…) tenho os filhos menores e também 21 netos.

Passeando pelo Texas:

Aqui, na minha cidade natal, fui Chefe do Departamento Pessoal da Paraguaçu Têxtil S.A. de 1952 a 1958.

Fui proprietário do Cine Teatro Íris, hoje Teatro Municipal, de 1953 a 1975. Exibi filmes e fundei o Paraguashow (programa de calouros) com a colaboração de Donato Andrade e Tiãozinho Alves.

Promovi a vinda à Paraguaçu de Procópio Ferreira, Violeta Ferraz, Zezé Macedo, Irmãs Galvão, Alvarenga e Ranchinho, Nilton Cezar, Sueli, Tarcísio Meira, Mazzaropi, entre outros.

Fui Professor de Inglês no Ginásio Salesiano Domingos Sávio e no Colégio Normal Sâo José de 1960 a 1967.

Em meados de 1945 a pedido do povo trespontano com a colaboração do engenheiro Waldir Baroni Araújo, supervisionei todos os trabalhos de construção do aeroporto de Três Pontas.

Voei como instrutor de pilotagem no Aeroclube de Paraguaçu em 1945 a 1958.

Consegui com o senhor Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Joelmir Campos de Macedo, a doação da célula 1261 do avião AT-6 que hoje se encontra no Trevo do Avião.

Juntamente com o Sr. Oscar Ferreira Prado, Dr. Alfredo Leite da Silva Jr. e Dante Gonçalves de Souza, participei da fundação do Museu de Paraguaçu.

Em 1961, a meu pedido, a região do Sapucaí recebeu a primeira visita da “Esquadrilha da Fumaça”, comandada pelo Capitão Alaor. Acontecendo, que devido a renúncia de Jânio Quadros, a demonstração, que havia sido programada para o dia do aniversário da cidade, foi protelada para o mês de outubro.

Com a minha colaboração, meu filho Vinícius fundou o primeiro Clube de Paraquedismo da região sob o comando do Sargento Castilho da Tropa Paraquedista da Força Aérea Brasileira.

Fui Diretor do Jornal “A Voz da Cidade” no período de 1987 a 1988.

Sob o pseudônimo Cepecê mantive durante muitos anos a coluna Mini-Notas no referido jornal sendo que alguns dos meus artigos e crônicas foram transcritos por jornais da região. Hoje, esporadicamente continuo rosetando com minhas crônicas.

Até hoje tenho estado à disposição dos estabelecimentos de ensino que me brindam com convites para aulas inaugurais e palestras sobre – “Participação do Brasil na Segunda Guerra” – “Astronomia” – “Astronáutica” – “Yoga” – “Histórico de Paraguaçu” – “Poder da Mente”, além de fornecer materiais para pesquisas escolares e participar de encenações teatrais interpretando personagens marcantes que construíram a História de Paraguaçu.

Em 1966 recebi o Diploma de Professor de Yoga diretamente das mãos do General Caio Miranda (introdutor do Yoga no Brasil).

Ministrei aulas de Hatha Yoga em Alfenas, Varginha, Três Pontas, Boa Esperança, Machado, Areado, Coqueiral de 1966 a 1974.

Em Paraguaçu, sempre que solicitado, ministro ainda referidas aulas de Hatha Yoga e atendendo a três solicitações, iniciarei curso para nova turma, logo após este carnaval.

E a vida continua … Enquanto isso, aqui e agora, com meus 72 anos, brinco mais este carnaval…

 

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