Um Espião do Brasil na Olimpíada de Hitler

Aproveitando o gancho das Olimpíadas do Rio 2016, e os 80 anos das Olimpíadas de Berlin 1936, estou copiando abaixo um artigo que achei interessante compartilhar com os amigos, apesar de ser pré Segunda Guerra, mas mesmo assim envolve todo clima de guerra.

Um Espião do Brasil na Olimpíada de Hitler

Luiza Villaméa

Infiltrado, o tenente Roberto de Pessôa tinha como missão descobrir a metodologia alemã de preparação de atletas

Hitler, retratado pelo brasileiro, que driblou o esquema oficial de propaganda – Foto: Álbum de Família
Hitler, retratado pelo brasileiro, que driblou o esquema oficial de propaganda – Foto: Álbum de Família

A fotografia de Adolf Hitler na tribuna do Estádio Olímpico de Berlim em 1936 tem história. Foi tirada pelo tenente Roberto de Pessôa, que tinha sido infiltrado na delegação brasileira pelo governo Getúlio Vargas. Detalhe: a tomada de imagens era supercontrolada durante os Jogos de Berlim. Apenas 125 fotógrafos foram credenciados. Todos alemães. Só depois de selecionadas pelo serviço de propaganda de Hitler, as fotos eram distribuídas aos 1.800 jornalistas de 49 países que cobriram a Olimpíada de 1936.

O tenente Pessôa, com a delegação brasileira – Foto: Álbum de Família
O tenente Pessôa, com a delegação brasileira – Foto: Álbum de Família

O tenente Pessôa tinha 26 anos e havia acabado de se formar em Educação Física pela Escola do Exército quando embarcou com a delegação brasileira para a Alemanha. Para os 94 atletas brasileiros da delegação, entre eles os nadadores Maria Lenk e João Havelange, o tenente foi apresentado como treinador. Na abertura dos jogos, ele desfilou com a representação brasileira, mas, em seguida, foi tratar de sua missão.

Em uma Olimpíada preparada por Hitler para demonstrar a supremacia ariana, o tenente estava encarregado de trazer para o Brasil os segredos da metodologia alemã. Algumas práticas heterodoxas chamaram sua atenção. Para incentivar o destemor, esgrimistas treinavam sem a máscara protetora da cabeça. Atletas adaptaram a tradicional caça à raposa e caçavam os animais em arenas de areia, montados em motos.

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Pessôa, que chegaria a general, posa entre militares alemães – Foto: Álbum de Família

Outro detalhe que despertou a atenção do tenente foi o uso de agulhas para tratar contusões, numa época em que a acupuntura não era conhecida no Ocidente. Ao mesmo tempo, Pessôa acompanhou de perto a derrocada da ideia de supremacia branca defendida por Hitler. Foi quando o velocista e saltador negro Jesse Owens arrebatou quatro medalhas de ouro. Em um estádio repleto de bandeiras com a suástica nazista, Owens venceu as provas dos 100 metros, 200 metros, 4 x 100 metros e salto em distância.

 

Terminada a Olimpíada, o tenente tentou, mas não conseguiu, fazer o curso de paraquedismo da Deutsche Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha.  Oito anos mais tarde, tornou-se o primeiro paraquedista militar brasileiro, depois de concluir curso similar, na academia militar de Fort Benning, nos Estados Unidos. Aficionado por esportes, foi professor de metodologia na Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil (antigo nome da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Quando entrou para a reserva, em 1966, era general de brigada, comandante do Batalhão de Infantaria Santos Dumont. Morreu em setembro de 2010, aos 100 anos.

http://brasileiros.com.br/2016/08/um-espiao-brasil-na-olimpiada-de-hitler/

 

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