Espaço FOX-HOLE, por dentro da 2ªGM – 02

O espaço Fox-hole foi a primeira (e ainda única no formato e estilo) coluna semanal, em jornal impresso, no Brasil, que aborda exclusivamente a história da Segunda Guerra Mundial. Já é freqüente ouvir e receber comentários positivos sobre o trabalho e quero agradecer pelo apoio e incentivo dos leitores com os quais conversei nos últimos dias. Parte dos objetivos alcançados vem do apoio e da liberdade na escolha dos temas dada pelo jornal e por isso agradeço, publicamente, toda a equipe de A Gazeta. Alguns dos leitores começaram a acompanhar a coluna recentemente e por isso vou explicar novamente o significado de Fox-hole. Assim eram chamados os abrigos individuais, ou para dois praças, cavados nas linhas de frente durante a Segunda Guerra. Completamente diferente das trincheiras que serpenteavam atravessando a Europa na Primeira Guerra. Essas tocas de raposas (Fox-hole) eram, muitas vezes, a única proteção do soldado e dentro delas passavam longas horas vigiando. Ali comiam suas rações, liam e escreviam cartas, cuidavam do equipamento, combatiam e quando possível dormiam. Ficavam à mercê do clima e sem espaço para esticarem as pernas favorecendo o surgimento, no inverno, do pé de trincheira que era o congelamento dos dedos dos pés. Ao progredirem, na jornada seguinte, abandonavam as tocas e cavavam outras mais adiante. Informações, equipamentos e muitas das histórias que moldaram a Segunda Guerra passaram e aconteceram ao redor dos Fox-holes. Com a intenção de lembrar e homenagear os participantes da maior e mais brutal guerra da história a coluna adotou este nome que significa tanto para muitos veteranos. Fox-hole foi também o nome dado para um pequeno rádio que podia ser montado com peças encontradas próximas da linha de frente. O rádio Fox-hole tem por base o rádio de galena, mas no lugar da “galena” era colocada uma lamina de barbear e o grafite de um lápis deslizando sobre ela fazia o dial para captar alguma estação. Com boa vontade, paciência e muita tentativa e erro podemos recriar esse rádio e nos surpreender ao ouvir o som de algo tão simples e bruto. A internet está repleta de esquemas e diagramas de como construir. Ganhei um exemplar, funcional, do meu amigo e também reencenador histórico Fábio Reis. Aproveitando, uma versão ainda mais simples foi criada por prisioneiros de guerra e ficou conhecida como PoW radio.

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