Cicero Dias o “Combatente da Poesia”

Com o estouro da guerra existia muitos brasileiros em terras europeias, muitos conhecidos no Brasil, artistas, escritores, e a grande maioria anônimos e que chegaram a empunhas uma arma em busca da paz mundial.

Nesse artigo irei falar de Cicero Dias, um Pernambucano de Escadas, que não esteve em luta armada, não participou de combate, não serviu na FAB, FEB nem Marinha, mas passou apuros no período do conflito.

Cicero foi um pintor modernista brasileiro, nos anos 30 foi para Paris onde conheceu e ficou amigo de Pablo Picasso. Nesse período Dias e Picasso fizeram grande amizade, e a ligação era tão grande que o pintor espanhol na época que pinta sua obra “Guernica”, recebera a visita do brasileiro, na ocasião Picasso perguntou há Dias o que achava da pintura e se estava usando muito cinza, Cicero respondeu: “você deve apenas exprimir o que estava sentindo”.

Com o estouro da guerra e a declaração de guerra do Brasil, Cicero foi preso junto de outros brasileiros como Guimarães Rosa (falaremos sobre ele em outro artigo), e levado para Baden-Baden na Alemanha onde ficou cerca de seis meses trancado em um quarto. Nesse período sua produção artística parou por não ter material para pintar e criar.

Após libertado Cicero se instalou em Lisboa, mas mesmo longe do conflito, estava preocupado, pois sua noiva Raymonde esta na França ocupada. Um dia secretamente foi de trem para buscar amada.

Nessa viagem foi incumbido de uma missão que era levar de Paris para Lisboa um poema revolucionário chamado “Liberté” escrito por Paul Éluard, que mais tarde seria enviado para Inglaterra onde seria impresso e jogado sobre a França ocupada causando grande comoção a população. Por essa missão recebeu o apelido de “Combatente da Poesia”, também nascia um herói ligado para sempre a liberdade de expressão. Dias conta que esse momento foi um dos mais tensos pois levava o poema escondido em sua roupa e os alemães entravam nos vagões e revistavam um a um, pensou ser descoberto e ser repreendido.

O ano de 1948 marcou uma atividade mais intensa no Brasil, com Cícero interessando-se sobretudo por murais. Em 1949, compareceu à Exposição de Arte Mural, em Avinhão, na França. Em 1950 participou da Bienal de Veneza. Em 1965, a Bienal de Veneza realizou uma exposição retrospectiva de quarenta anos de pintura de Cícero Dias. Em 1970, realizou individuais no Recife, Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1981, o MAM realizou uma retrospectiva de sua obra.

No início dos anos 1960, o artista pintou diversas telas com retratos de mulheres. Em 2000, inaugurou uma praça projetada por ele mesmo, em Recife. Em fevereiro de 2002, Cícero Dias esteve novamente na capital pernambucana para o lançamento de um livro sobre sua trajetória artística e fez uma exposição na galeria Portal, em São Paulo.

Cicero Dias veio a falecer em 28 de janeiro de 2003 na cidade de Paris.

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