Breda Ba.65: a promessa fascista que desabou no deserto

Antes de a Segunda Guerra Mundial expor as limitações militares da Itália fascista, Benito Mussolini já havia transformado a aviação em espetáculo político. Esquadrilhas cruzavam o céu durante cerimônias e exercícios destinados a convencer italianos e estrangeiros de que o regime possuía uma força aérea moderna. Entre os aparelhos escolhidos para representar essa imagem estava o Breda Ba.65, um monoplano metálico de aparência robusta, armado e aparentemente preparado para a guerra que se aproximava.

A realidade seria muito menos grandiosa.

O Ba.65 nasceu de uma discussão importante dentro da Regia Aeronautica. O coronel Amedeo Mecozzi defendia uma aviação de assalto capaz de apoiar diretamente as forças terrestres, atacando tropas, veículos, artilharia e comunicações. Era uma visão diferente da doutrina de Giulio Douhet, concentrada no bombardeio estratégico. O problema não estava necessariamente na ideia de Mecozzi, mas na tentativa de reunir tarefas demais em uma única aeronave.

Desenvolvido a partir do Breda Ba.64, o novo avião deveria atuar como caça, aparelho de reconhecimento, bombardeiro leve e plataforma de ataque ao solo. O protótipo realizou seu primeiro voo em setembro de 1935. Era uma aeronave de asa baixa, trem de pouso retrátil e estrutura metálica, equipada com duas metralhadoras Breda-SAFAT de 12,7 milímetros e duas de 7,7 milímetros. Também podia transportar bombas internamente e sob as asas.

No papel, era versátil. No ar, seu peso, sua complexidade e seus motores formaram uma combinação difícil. Pilotos acostumados aos biplanos italianos encontraram um avião pesado nos comandos, pouco tolerante a erros e perigoso em certas condições. A Aeronautica Militare registra oito acidentes fatais apenas em 1938. A má reputação não surgiu da propaganda inimiga, mas da experiência de quem precisava pilotá-lo.

Mesmo assim, o Ba.65 recebeu sua primeira prova de combate na Guerra Civil Espanhola. A Itália enviou aparelhos e tripulações da Aviazione Legionaria para apoiar as forças nacionalistas do general Francisco Franco. A 65ª Squadriglia Autonoma d’Assalto operou o modelo no norte da Espanha, em Teruel, no Aragão, no Ebro e na ofensiva final contra a Catalunha.

Foi na Espanha que o avião mostrou seu lado mais útil. Contra alvos terrestres, com oposição aérea nem sempre intensa, podia metralhar colunas, bombardear posições e atacar pontes. Os Ba.65 realizaram 1.921 missões, incluindo centenas de ataques rasantes e dezenas de bombardeios em mergulho. Dos 23 enviados, 12 foram perdidos. Os 11 sobreviventes permaneceram com a aviação espanhola depois do conflito.

Esse desempenho criou uma impressão enganosa. A guerra espanhola havia oferecido condições diferentes daquelas que seriam encontradas diante da Royal Air Force no Norte da África. Quando a Itália entrou na Segunda Guerra Mundial, em 10 de junho de 1940, o Ba.65 carregava limitações que não podiam ser resolvidas por discursos.

No deserto líbio e egípcio, os aparelhos do 50º Stormo foram empregados contra tanques, carros blindados, caminhões e tropas britânicas. As missões exigiam voos longos, baixa altitude e sucessivas passagens sobre áreas defendidas. O calor, a areia, a falta de peças e a baixa disponibilidade mecânica agravaram os problemas. Em algumas operações, a escassez de bombas explosivas obrigou o uso de pequenas bombas incendiárias, pouco eficazes em terreno rochoso ou arenoso.

Em 4 de agosto de 1940, a vulnerabilidade do Breda ficou evidente sobre Bir Taib el Esem. Seis Ba.65 da 159ª Squadriglia atacavam veículos britânicos quando foram surpreendidos por caças biplanos Gloster Gladiator. Dois Bredas foram abatidos antes que Fiat CR.32 italianos interviessem. O episódio foi constrangedor: um biplano concebido anos antes demonstrava maior capacidade de combate que o monoplano apresentado como símbolo da modernização fascista.

As perdas continuaram. Em 8 de outubro de 1940, o capitão Antonio Dell’Oro, comandante da 159ª Squadriglia, foi abatido e morto perto de Bir Kamsat. Recebeu postumamente a Medaglia d’Oro al Valor Militare. Em dezembro, a ofensiva britânica acelerou o colapso das unidades italianas na Cirenaica. No início de 1941, aeronaves abandonadas foram encontradas em Bengasi. Tripulações sobreviventes passaram para caças ou para unidades equipadas com o Junkers Ju 87 Stuka.

A história ainda teve um último capítulo no Iraque. Exemplares exportados à Real Força Aérea Iraquiana participaram, em maio de 1941, dos combates contra os britânicos durante a guerra anglo-iraquiana. Problemas de manutenção, falta de peças, ataques inimigos e a rápida derrota do governo de Rashid Ali al-Gaylani encerraram sua carreira operacional.

Até o total produzido exige cautela. A literatura especializada costuma citar 218 unidades, enquanto a página histórica da atual Aeronautica Militare registra 265. A divergência não altera o essencial. O Ba.65 foi concebido para muitas funções, entrou em combate antes de amadurecer e encontrou na Segunda Guerra Mundial um ambiente que punia qualquer deficiência.

Chamado por alguns autores de um dos piores aviões de ataque do conflito, talvez seja mais correto entendê-lo como um retrato de seu tempo. Tinha aparência moderna, armamento respeitável e uma doutrina promissora, mas faltavam desempenho, confiabilidade e proteção. A propaganda podia fazê-lo parecer ameaçador. Os céus da Espanha, da África e do Iraque mostraram o que ela tentava esconder.


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