Análise técnica das novas varreduras sonar em Quequén, Argentina. Especialistas investigam se destroços submersos pertencem a submarinos alemães da Segunda Guerra Mundial.
No verão de 2022, o grupo de pesquisa Eslabón Perdido localizou uma estrutura massiva a cerca de quatro quilômetros da costa de Quequén, na Argentina. O objeto, repousando a 30 metros de profundidade, não constava em nenhuma carta náutica ou registro oficial de naufrágios conhecidos na região.
As dimensões iniciais apontaram para uma estrutura de aproximadamente 80 metros de comprimento por 6 metros de largura. Estes parâmetros despertaram imediatamente o interesse de arqueólogos submarinos e especialistas em tecnologia naval, dada a similaridade com submarinos de grande porte.
A visibilidade nas águas da província de Buenos Aires é historicamente baixa, dificultando a captação de imagens nítidas. Por isso, a aplicação de sonar de varredura lateral (Side Scan Sonar) e equipamentos de multifeixe tornou-se a ferramenta primordial para a identificação pericial.
O Achado de Eslabón Perdido e a Varredura Geofísica
A investigação progrediu através de diversas fases de mapeamento acústico, buscando entender a volumetria dos destroços. O relatório técnico emitido pela Prefectura Naval Argentina (PNA) inicialmente foi cauteloso, descrevendo o objeto apenas como um casco metálico degradado.

Entretanto, as varreduras de alta resolução revelaram características morfológicas que desafiam a tese de um navio mercante comum. A ausência de mastros, guindastes de carga ou uma superestrutura típica de cargueiros direcionou a análise para a possibilidade de uma belonave militar.
O ambiente marinho local, caracterizado por correntes fortes e sedimentação constante, enterrou parte do casco. Essa condição exige um processamento de dados sonar que consiga filtrar o ruído do fundo arenoso para isolar as linhas de construção originais do navio.
Arquitetura Naval: Confrontando o Sonar com o Design da Kriegsmarine
Ao analisarmos os dados sob a ótica da engenharia naval alemã da década de 1940, observamos convergências estruturais notáveis. O comprimento de 80 metros aproxima-se significativamente das especificações dos U-boats alemães de longo alcance, como o Tipo IXC ou o avançado Tipo XXI.
A análise técnica foca em componentes específicos que resistem ao tempo, como as cavernas do casco resistente e as bases de motores diesel. A presença de uma estrutura alongada, com um cone de popa característico, sugere um hidrodinamismo projetado para navegação submersa prolongada.
Especialistas internacionais que analisaram as imagens de sonar identificaram o que parece ser o ‘conning tower’ (torre de comando) desprendido ou colapsado lateralmente. Esse detalhe é crucial para diferenciar um submarino de um tubo de dragagem ou um destroço industrial.
“As características observadas no vídeo e nos gráficos de sonar mostram uma estrutura que não é típica de barcos de pesca ou navios mercantes locais. A robustez do metal e a configuração do que resta da torre indicam uma origem militar clara” (Fabio Bisciotti, análise técnica via Liga Naval Italiana).
O Periscópio e a Torre de Comando: Silhuetas no Sedimento
Um dos pontos mais intrigantes das novas varreduras é a detecção de uma protuberância metálica que se assemelha à base de um periscópio de ataque. Nos U-boats alemães, essa estrutura era reforçada e conectada diretamente ao compartimento de comando central do casco resistente.
A oxidação profunda é evidente, sugerindo que o metal esteve exposto à eletrólise salina por quase oito décadas. Contudo, a integridade de certas seções sugere o uso de aço de alta resistência, comum na indústria bélica do Terceiro Reich.
Curiosamente, o local do naufrágio coincide com relatos históricos de desembarques clandestinos na costa argentina após maio de 1945. A análise forense do sonar busca agora identificar as aberturas dos tubos de torpedo na proa, o que seria a prova definitiva da natureza ofensiva da embarcação.
Além da Superfície: O Rigor Científico na Identificação Subaquática
A identificação de um naufrágio desta magnitude exige a superação do sensacionalismo em favor da arqueologia metódica. Cada nova passagem do sonar fornece camadas de dados que permitem a reconstrução tridimensional do sítio arqueológico sem a necessidade de escavações invasivas imediatas.
A ausência de registros oficiais de naufrágios de submarinos na Argentina durante a guerra reforça a tese de operações de fuga. O estudo técnico das varreduras em Quequén representa um dos capítulos mais significativos da arqueologia moderna no Atlântico Sul, unindo tecnologia de ponta e investigação histórica.
O próximo passo da equipe técnica envolve o uso de magnetômetros de precisão para detectar a assinatura ferrosa total da estrutura. Isso permitirá determinar se há compartimentos internos ainda selados ou se o casco sofreu uma implosão controlada antes do afundamento final.
Fontes de Pesquisa:
- National Geographic: Reports on Underwater Archaeology and WWII U-boats.
- Clarin: Arquivo de investigações sobre os destroços de Quequén e Necochea.
- Naval History Magazine: Technical specifications of German Type IX and XXI U-boats.
- Relatórios Técnicos da Liga Naval Italiana (LNI) sobre arqueologia subaquática militar.
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