Descubra os bastidores sombrios do Pacto Molotov-Ribbentrop. Uma investigação histórica sobre como Hitler e Stalin, em um acordo cínico, dividiram a Polônia e selaram o destino de milhões na Segunda Guerra Mundial.
Moscou, agosto de 1939.
O ar nos corredores do Kremlin carrega um peso sufocante. Lá fora, o verão russo tenta esconder a frieza das decisões que estão prestes a mudar o destino da humanidade. O mundo observa, tenso, prendendo a respiração. Mas o que ninguém imagina é que, entre quatro paredes, o impensável está acontecendo. O impossível está sendo assinado com tinta e sangue.
É a noite de vinte e três de agosto. Joachim von Ribbentrop, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha nazista, aterrissa em Moscou. Ele não é recebido como um inimigo ideológico, mas como um parceiro de negócios. Sua missão é clara e macabra: selar uma aliança com o homem que Adolf Hitler jurou destruir. O homem que, por sua vez, pregava a morte ao fascismo. Josef Stalin.
As câmeras capturam o momento. E as imagens correriam o mundo, gerando incredulidade e horror. Ali estão eles. Stalin, com seu bigode farto e olhar impenetrável, sorrindo. Ao seu lado, Ribbentrop, a personificação da arrogância nazista. E Molotov, o executor fiel das ordens soviéticas. Eles brindam. Erguem taças de champanhe da Crimeia enquanto a Europa caminha para o abismo. Aquele brinde não celebrava a paz. Celebrava a partilha de nações inteiras.
O documento oficial, divulgado para as agências de notícias e jornais, falava em “não agressão”. Um tratado de amizade. Uma promessa de que a Alemanha e a União Soviética não atacariam uma à outra. O mundo diplomático entrou em choque. Como a água e o óleo poderiam se misturar tão repentinamente? O que Londres e Paris não sabiam, o que os cidadãos comuns da Polônia sequer sonhavam, era o que estava escrito nas páginas que não foram publicadas.
Existia uma cláusula oculta. Um protocolo secreto adicional.
Naquela sala fechada, longe dos olhos da opinião pública, o mapa da Europa Oriental foi estendido sobre a mesa. Como quem corta um bolo de aniversário, os dois ditadores riscaram fronteiras e definiram o futuro de milhões de almas. A Polônia foi dividida friamente. Uma linha traçada nos rios Narew, Vístula e San selaria o destino do país. O oeste ficaria para Hitler. O leste, para Stalin.
Mas a ambição não parava ali. A Finlândia, a Estônia e a Letônia foram entregues à esfera de influência soviética. A Lituânia, inicialmente, cairia nas mãos alemãs. Era a Realpolitik em sua forma mais brutal. Sem disparar um único tiro, Stalin garantiu a recuperação de territórios do antigo império czarista e ganhou tempo. Hitler, por sua vez, garantiu o que mais precisava: uma guerra em apenas uma frente. Ele agora tinha carta branca para atacar o oeste sem temer o gigante do leste.
O cinismo daquele encontro reverbera através da história. Enquanto os comunistas de toda a Europa, que lotavam as prisões fascistas, acreditavam na luta contra o nazismo, seu líder máximo apertava a mão do inimigo. Foi uma traição ideológica sem precedentes.
Poucos dias depois, a farsa se tornaria tragédia real. Em primeiro de setembro, os tanques alemães cruzaram a fronteira polonesa. A Blitzkrieg começou. E enquanto a Wehrmacht esmagava a resistência polonesa a oeste, o Exército Vermelho aguardava. No dia dezessete de setembro, cumprindo o acordo firmado naquela noite de champanhe e sorrisos, as tropas de Stalin invadiram pelo leste.
A justificativa oficial de Moscou foi de um cinismo atroz. Alegaram que o estado polonês havia “deixado de existir” e que era necessário entrar para “proteger” as populações ucranianas e bielorrussas. No dia vinte e oito de setembro, Ribbentrop voltaria a Moscou. Um novo tratado seria assinado, ajustando as fronteiras, entregando a Lituânia aos soviéticos em troca de mais terras polonesas para os nazistas. E mais uma vez, falaram em “restabelecer a paz e a ordem”.
Mas a “ordem” que eles trouxeram foi a das fossas comuns, da perseguição policial e do terror. Nos territórios ocupados, a Gestapo e a polícia secreta soviética iniciaram seu trabalho de limpeza. O protocolo secreto previa explicitamente que ambos os lados suprimiriam qualquer agitação polonesa em seus territórios. Era um pacto de silêncio e repressão mútua.
Aquele brinde em Moscou não foi apenas um acordo diplomático. Foi a sentença de morte para cinquenta milhões de pessoas que pereceriam nos seis anos seguintes. Foi o momento em que a moralidade foi banida das relações internacionais e substituída pela força bruta.
Hoje, ao olharmos para as fotos daquele encontro, vemos mais do que políticos assinando papéis. Vemos a prova documental de como o destino de nações pode ser decidido na calada da noite, por homens que enxergam povos inteiros apenas como linhas em um mapa. O pacto do diabo foi assinado. E o inferno veio logo a seguir.
Fonte: Crônica Militar e Politica da Segunda Guerra Mundial
OBS: Imagens criadas com Inteligência Artificial
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