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Eduardo Schussmuller: o cadete paraguaio que desapareceu na Baía de Guanabara durante a Segunda Guerra Mundial

Posted on 16 de outubro de 202615 de outubro de 2026 by Ricardo

Em 21 de outubro de 1942, um jovem militar paraguaio morreu durante um voo de instrução no Rio de Janeiro. Jornais da época revelam que sua morte mobilizou autoridades brasileiras e terminou com uma homenagem que ele não viveu para receber.

21 de outubro de 1942. Um voo de instrução termina nas águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O piloto não está em missão de combate contra submarinos alemães. É um cadete do Exército paraguaio, enviado ao Brasil para aprender a voar. Seu nome: Eduardo Schussmuller.

A notícia atravessou fronteiras. Em novembro daquele ano, o jornal carioca Diário de Notícias registrou a morte e publicou detalhes das homenagens organizadas pela Aeronáutica brasileira. Uma reportagem posterior citou o jornal El Paraguayo, de Assunção, que indicava a data do acidente.

O episódio deixou um documento particularmente revelador: a entrega de um brevê que Schussmuller não pôde conquistar em vida.

Em plena Segunda Guerra Mundial, formar pilotos significava preparar homens para uma atividade cada vez mais necessária — e perigosa.

A missão paraguaia no Brasil

A aviação militar paraguaia procurava atualizar seus procedimentos e ampliar a formação de pessoal. Em 1942, oficiais, cadetes e especialistas seguiram para a Escola de Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, então Distrito Federal.

O treinamento acontecia num período de expansão acelerada da Força Aérea Brasileira, criada em janeiro de 1941.

O historiador paraguaio Antonio Luis Sapienza Fracchia documenta a cooperação. Entre 1942 e 1944, registra a formação no Brasil de 17 aviadores paraguaios e sete especialistas técnicos.

Entre os nomes associados às missões estavam Félix Zárate Monges, José Duarte, Pedro Cataldo, Ismael Florentín e Horacio Acosta.

Os alunos recebiam instrução em aeronaves como Fairchild PT-19 e Vultee BT-15. A escola brasileira também empregava modelos Stearman e North American T-6.

Isso, entretanto, não prova qual avião Schussmuller pilotava no dia do acidente: os registros localizados não estabelecem com segurança o modelo.

Em 1942, a formação envolvia conhecimentos de meteorologia, aerodinâmica, motores e navegação, além das etapas práticas. Cada voo submetia o aprendizado a condições reais. A documentação da própria Aeronáutica mostra como a escola ampliava sua estrutura para acompanhar as exigências da guerra.

O Brasil já havia entrado na guerra contra Alemanha e Itália após os ataques do Eixo à navegação nacional.

A formação aérea deixara de ser apenas um projeto de modernização militar. Era parte da preparação de uma força que precisava vigiar o litoral, treinar tripulações e sustentar operações no Atlântico Sul.

O acidente e as perguntas sem resposta

Uma nota do Diário de Notícias situou o acidente na Baía de Guanabara. Outra informou que o cadete morreu durante um voo de instrução.

Fontes retrospectivas afirmam que a aeronave e o corpo não foram encontrados.

Mas há um limite para a reconstrução.

Não foram localizados, nas fontes examinadas, relatório técnico conclusivo, identificação inequívoca da aeronave ou transcrição da última comunicação do piloto.

Atribuir a queda a pane, mau tempo ou erro humano seria transformar hipótese em fato.

O que está documentado é suficiente para compreender o drama: um aluno estrangeiro morreu no treinamento oferecido por uma escola militar brasileira, enquanto os dois países participavam, em graus diferentes, dos esforços de defesa do continente durante a guerra.

Uma missa no Rio e um brevê em Assunção

Nos primeiros dias de novembro de 1942, o ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho, mandou celebrar uma missa pela alma de Schussmuller na Igreja da Santa Cruz dos Militares, no Rio.

O Diário de Notícias publicou o convite a colegas e amigos. Representantes da Escola de Aeronáutica e de unidades militares foram chamados a participar.

Mais tarde, uma comissão brasileira viajou a Assunção para transmitir condolências ao governo paraguaio.

A homenagem ganhou outra dimensão na Embaixada do Brasil, diante de autoridades diplomáticas e familiares.

A Escola de Aeronáutica concedeu postumamente ao cadete o brevê de aviador.

Conforme a notícia reproduzida pelo jornal carioca, a insígnia foi entregue à irmã do morto, identificada como Gervasia Schussmuller, pela esposa do embaixador brasileiro.

A cerimônia não alterava o desfecho. Mas revelava que a morte de um cadete estrangeiro havia ultrapass

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