Em 21 de outubro de 1942, um jovem militar paraguaio morreu durante um voo de instrução no Rio de Janeiro. Jornais da época revelam que sua morte mobilizou autoridades brasileiras e terminou com uma homenagem que ele não viveu para receber.
21 de outubro de 1942. Um voo de instrução termina nas águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O piloto não está em missão de combate contra submarinos alemães. É um cadete do Exército paraguaio, enviado ao Brasil para aprender a voar. Seu nome: Eduardo Schussmuller.
A notícia atravessou fronteiras. Em novembro daquele ano, o jornal carioca Diário de Notícias registrou a morte e publicou detalhes das homenagens organizadas pela Aeronáutica brasileira. Uma reportagem posterior citou o jornal El Paraguayo, de Assunção, que indicava a data do acidente.
O episódio deixou um documento particularmente revelador: a entrega de um brevê que Schussmuller não pôde conquistar em vida.
Em plena Segunda Guerra Mundial, formar pilotos significava preparar homens para uma atividade cada vez mais necessária — e perigosa.
A missão paraguaia no Brasil
A aviação militar paraguaia procurava atualizar seus procedimentos e ampliar a formação de pessoal. Em 1942, oficiais, cadetes e especialistas seguiram para a Escola de Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, então Distrito Federal.
O treinamento acontecia num período de expansão acelerada da Força Aérea Brasileira, criada em janeiro de 1941.
O historiador paraguaio Antonio Luis Sapienza Fracchia documenta a cooperação. Entre 1942 e 1944, registra a formação no Brasil de 17 aviadores paraguaios e sete especialistas técnicos.
Entre os nomes associados às missões estavam Félix Zárate Monges, José Duarte, Pedro Cataldo, Ismael Florentín e Horacio Acosta.
Os alunos recebiam instrução em aeronaves como Fairchild PT-19 e Vultee BT-15. A escola brasileira também empregava modelos Stearman e North American T-6.
Isso, entretanto, não prova qual avião Schussmuller pilotava no dia do acidente: os registros localizados não estabelecem com segurança o modelo.
Em 1942, a formação envolvia conhecimentos de meteorologia, aerodinâmica, motores e navegação, além das etapas práticas. Cada voo submetia o aprendizado a condições reais. A documentação da própria Aeronáutica mostra como a escola ampliava sua estrutura para acompanhar as exigências da guerra.
O Brasil já havia entrado na guerra contra Alemanha e Itália após os ataques do Eixo à navegação nacional.
A formação aérea deixara de ser apenas um projeto de modernização militar. Era parte da preparação de uma força que precisava vigiar o litoral, treinar tripulações e sustentar operações no Atlântico Sul.
O acidente e as perguntas sem resposta
Uma nota do Diário de Notícias situou o acidente na Baía de Guanabara. Outra informou que o cadete morreu durante um voo de instrução.
Fontes retrospectivas afirmam que a aeronave e o corpo não foram encontrados.
Mas há um limite para a reconstrução.
Não foram localizados, nas fontes examinadas, relatório técnico conclusivo, identificação inequívoca da aeronave ou transcrição da última comunicação do piloto.
Atribuir a queda a pane, mau tempo ou erro humano seria transformar hipótese em fato.
O que está documentado é suficiente para compreender o drama: um aluno estrangeiro morreu no treinamento oferecido por uma escola militar brasileira, enquanto os dois países participavam, em graus diferentes, dos esforços de defesa do continente durante a guerra.
Uma missa no Rio e um brevê em Assunção
Nos primeiros dias de novembro de 1942, o ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho, mandou celebrar uma missa pela alma de Schussmuller na Igreja da Santa Cruz dos Militares, no Rio.
O Diário de Notícias publicou o convite a colegas e amigos. Representantes da Escola de Aeronáutica e de unidades militares foram chamados a participar.
Mais tarde, uma comissão brasileira viajou a Assunção para transmitir condolências ao governo paraguaio.
A homenagem ganhou outra dimensão na Embaixada do Brasil, diante de autoridades diplomáticas e familiares.
A Escola de Aeronáutica concedeu postumamente ao cadete o brevê de aviador.
Conforme a notícia reproduzida pelo jornal carioca, a insígnia foi entregue à irmã do morto, identificada como Gervasia Schussmuller, pela esposa do embaixador brasileiro.
A cerimônia não alterava o desfecho. Mas revelava que a morte de um cadete estrangeiro havia ultrapass
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