Japão 1931: O Início Real da Segunda Guerra Mundial

Em setembro de 1931, o Exército de Kwantung detonou uma carga explosiva perto de uma linha férrea de propriedade japonesa na Manchúria. O evento, conhecido como Incidente de Mukden, serviu de pretexto para a invasão imediata do nordeste da China pelas tropas imperiais. O que o mundo ocidental via como uma disputa regional era, na verdade, o tiro de partida para um conflito que consumiria o globo. Enquanto as potências europeias ainda lambiam as feridas da Grande Guerra e tentavam manter a ordem através de tratados de desarmamento, o Japão já havia decidido que a sua sobrevivência dependia da força bruta e da expansão territorial.

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Noite escura na Manchúria, trilhos de trem iluminados pela explosão violenta de dinamite

Para entender por que o Japão se moveu primeiro, precisamos olhar para o mapa e para a balança de poder. O arquipélago japonês é uma fortaleza natural, mas é uma fortaleza sem suprimentos. No início da década de 30, a liderança militar em Tóquio olhava para os Estados Unidos e para o Império Britânico com uma mistura de admiração e profundo ressentimento. Eles viam um sistema internacional desenhado por potências coloniais para manter o status quo, onde o Japão, uma nação industrializada e moderna, era tratado como um jogador de segunda classe. A lógica era puramente estratégica: ou o Japão garantia sua própria esfera de influência e recursos, ou seria sufocado pelas democracias liberais.

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A Manchúria não era apenas terra. Era carvão, ferro e espaço vital. Quando a Sociedade das Nações enviou a Comissão Lytton para investigar a agressão, o relatório final foi um tapa de luva de pelica que o Japão simplesmente ignorou, retirando-se da organização em 1933. Esse momento é crucial. Ele provou que a segurança coletiva era um mito. O xadrez geopolítico estava sendo jogado com peças de canhão, não com papel e caneta.

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Campo de batalha aberto e desolado no norte da China, bateria de artilharia de campo Type 38 75mm disparando simultaneamente

O exército japonês operava com uma autonomia perigosa. O governo civil em Tóquio muitas vezes se via refém de comandantes de campo que forçavam situações de fato consumado. Em 1937, o conflito escalou de uma ocupação regional para uma guerra total com o Incidente da Ponte Marco Polo. A China de Chiang Kai-shek, fragmentada e tecnologicamente inferior, tornou-se o laboratório de uma nova forma de guerra total. Nanquim caiu em dezembro de 1937, e o que se seguiu foi uma das páginas mais sombrias da história militar, uma demonstração de que a ordem internacional havia colapsado completamente.

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Ponte Marco Polo com seus icônicos leões de pedra, amanhecer nebuloso e sangrento, infantaria japonesa avançando em formação de combate com rifles Arisaka e baionetas caladas

Geopoliticamente, o Japão buscava o que chamava de Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental. O nome era um eufemismo para um império colonial japonês que substituiria os europeus. O raciocínio de Tojo e do alto comando era cínico e pragmático: a Ásia para os asiáticos — desde que o Japão fosse o mestre. Eles precisavam do petróleo das Índias Orientais Holandesas e da borracha da Indochina Francesa. Sem esses recursos, a máquina de guerra japonesa pararia em meses.

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Coluna de tanques leves Type 95 Ha-Go atravessando terreno lamacento e difícil

A entrada do Japão na guerra antes de todo mundo não foi um erro de cálculo emocional, mas uma decisão estratégica baseada na percepção de vulnerabilidade. Eles sabiam que o tempo jogava contra eles. Cada barril de petróleo embargado pelos americanos era um passo em direção à paralisia total. A ideia de que a Segunda Guerra Mundial começou em 1939 é uma perspectiva puramente eurocêntrica. Para milhões de chineses, coreanos e sudeste-asiáticos, o apocalipse já estava em curso há quase uma década.

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Ponta afiada e brilhante de uma baioneta Type 30 acoplada a um rifle Arisaka

A estratégia japonesa era de velocidade e choque. Eles acreditavam que poderiam desferir um golpe tão devastador que as potências ocidentais aceitariam a nova realidade na Ásia. Eles subestimaram a capacidade industrial americana e a resiliência chinesa, mas o tabuleiro que montaram em 1931 foi o que definiu o ritmo da destruição global. O Japão não entrou na história por acaso; ele forçou a porta de entrada com a baioneta, convencido de que, no grande jogo das nações, só sobrevive quem dita as regras do medo.


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Fonte

  • Beevor, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2012.
  • Chang, Iris. The Rape of Nanking: The Forgotten Holocaust of World War II. Basic Books, 1997.
  • Hotta, Eri. Japan 1941: Countdown to Infamy. Knopf, 2013.
  • Mitter, Rana. Forgotten Ally: China’s World War II, 1937-1945. Houghton Mifflin Harcourt, 2013.
  • Arquivos Nacionais do Japão. Registros do Ministério da Guerra (1931-1937).

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