O Troféu Vivo do Capitão Yakushov: A Caçada Final ao General Traidor

O relato histórico da captura do General Vlasov pelo Capitão Mikhail Yakushov em maio de 1945. Uma narrativa tensa sobre o fim do Exército de Libertação Russo.


Maio de 1945. As estradas da Tchecoslováquia fervilhavam com o caos do fim da guerra. Colunas de refugiados, soldados alemães em retirada e unidades dispersas do Exército de Libertação Russo tentavam desesperadamente alcançar a zona de ocupação americana. No meio dessa confusão, o Capitão Mikhail Ivanovich Yakushov, comandante de um batalhão de fuzileiros motorizados da 162ª Brigada de Tanques, recebeu uma ordem direta e urgente. A missão não era tomar uma colina ou defender uma posição, mas localizar e capturar o líder de uma força inimiga específica: o General Andrey Vlasov.

A atmosfera estava carregada. O 25º Corpo de Tanques soviético avançava implacavelmente e a tensão entre as linhas de demarcação soviéticas e americanas era palpável. Yakushov sabia que o tempo era escasso. O alvo estava em movimento, tentando escapar da justiça soviética e render-se aos aliados ocidentais, na esperança de obter asilo político. A caçada começou com o capitão e seus homens vasculhando a região ao sul de Pilsen, perto da aldeia de Lhozka.

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Capitão Mikhail Ivanovich Yakushov

Yakushov moveu-se rapidamente pela zona instável. Ele interceptou uma coluna de veículos que ostentava bandeiras de diversas unidades, mas que claramente pertencia ao alto comando do ROA. A situação exigia cautela extrema. Um movimento em falso poderia desencadear um tiroteio sangrento em um momento em que a paz já havia sido praticamente declarada na Europa. Foi então que o destino da operação mudou graças a um encontro fortuito na estrada. Um oficial do ROA, o Capitão Kuchinsky, comandante de um batalhão da 1ª Divisão de Vlasov, foi abordado por Yakushov. Kuchinsky, percebendo a inevitabilidade da captura e talvez buscando salvar a própria pele, indicou que o General Vlasov estava ali mesmo, naquela coluna de carros que tentava cruzar para o lado americano.

A tensão atingiu o ápice quando Yakushov, guiado pela informação, dirigiu-se aos veículos. A coluna parou. Os oficiais alemães e russos que acompanhavam o comboio observavam com apreensão. Yakushov, com a autoridade de quem sabia ter o Exército Vermelho às suas costas, começou a inspeção. A busca inicial parecia infrutífera até que a atenção se voltou para um dos carros maiores. Não havia sinal imediato do general alto e imponente que as fotos de propaganda mostravam.

O capitão soviético abriu a porta traseira do veículo. O interior parecia conter apenas bagagens e cobertores amontoados, mas algo estava errado. Yakushov percebeu o volume suspeito sob um tapete enrolado e cobertas. Com determinação, ele puxou o material que escondia o passageiro clandestino. A figura que emergiu não tinha a postura de um comandante orgulhoso liderando suas tropas, mas a de um homem encurralado e exausto.

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General Andrey Vlasov

Diante do cano da arma de Yakushov e da realidade esmagadora de sua situação, o homem levantou-se. Ele ajeitou os óculos de aros grossos e pronunciou as palavras que marcariam o fim de sua jornada controversa e trágica: “Não atire, eu sou o General Vlasov”.

A captura foi realizada sem um único disparo. O homem que comandara milhares e desafiara Stalin agora se rendia a um jovem capitão de tanque. Yakushov não perdeu tempo. Ele ordenou que Vlasov entrasse em seu veículo. O general, agora prisioneiro, sentou-se ao lado do capitão. Durante o trajeto de volta ao Quartel-General do 25º Corpo de Tanques, o silêncio no carro era pesado, quebrado apenas pelo ruído do motor e pela movimentação da estrada.

Ao chegarem ao destino, Yakushov apresentou seu prisioneiro ao comando. A missão estava cumprida. O General Vlasov, o símbolo máximo da colaboração soviética com a Alemanha nazista, estava sob custódia, não por meio de uma grande batalha final, mas graças à audácia e persistência de um oficial que cumpriu sua ordem à risca. A imagem do general sendo extraído debaixo de cobertores em um carro em fuga permaneceria como um retrato final humilhante de sua tentativa falhada de escapar do julgamento que o aguardava em Moscou.

Para Mikhail Yakushov, aquele dia de maio ficaria gravado para sempre não apenas como o fim da guerra, mas como o momento em que ele, um soldado vindo de uma pequena aldeia, colocou as mãos na história e encerrou um dos capítulos mais dolorosos do conflito no leste europeu.

Fonte: Yakushov, Mikhail Ivanovich. Como eu roubei Vlasov. In: Do Soldado ao General: Memórias da Guerra. Tomo 1. Moscou: Editora MAI, 2003, p. 415.

Informações baseadas no relato do Capitão M. I. Yakushov contido nos arquivos da Academia de Ciências Histórico-Militares.


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