Entre 1943 e 1945, as oficinas da Weiss Manfréd, em Budapeste, entregaram ao Exército Húngaro uma solução mecânica de respeito: o Zrínyi II. Oficialmente designado 40/43M, este canhão de assalto nasceu da urgência em fornecer apoio direto à infantaria nas vastas e perigosas planícies da Frente Oriental. Inspirado pelo sucesso tático dos StuG III alemães, o alto comando húngaro percebeu que precisava de uma máquina capaz de destruir fortificações sem depender da vulnerabilidade de canhões rebocados. O resultado foi o blindado mais equilibrado e bem-sucedido produzido pela indústria nacional durante todo o conflito.

Para viabilizar o projeto em um cenário de escassez, os engenheiros não tentaram reinventar a roda. Eles utilizaram o chassi do tanque médio Turán, uma plataforma já testada, mas que precisava de modificações severas. O casco foi alargado e a torre giratória eliminada para dar lugar a uma superestrutura fixa em forma de casamata. Essa escolha de design, embora limitasse o campo de tiro horizontal, permitiu a instalação de uma peça de artilharia muito mais pesada do que qualquer torre da época suportaria, além de reduzir a silhueta do veículo para meros 1,90 metro de altura.
O coração ofensivo do Zrínyi II era o obuseiro MÁVAG 40/43M de 105 mm. Diferente de um caça-tanques puro, que foca na velocidade do projétil para perfurar aço, este canhão foi desenhado para a força bruta. Disparando granadas de alto explosivo (HE), ele era capaz de pulverizar ninhos de metralhadoras e bunkers com uma eficiência devastadora. Em situações de emergência, a tripulação contava com munição de carga moldada (HEAT) para enfrentar blindados soviéticos, mas o habitat natural do Zrínyi era o suporte próximo, martelando posições inimigas enquanto a infantaria avançava sob sua proteção.

Mecanicamente, o veículo pesava cerca de 21 toneladas, movido por um motor Manfréd Weiss V8 de 260 cavalos. Não era uma máquina de corrida, mas seus 43 km/h em estrada eram suficientes para acompanhar as divisões de infantaria. A blindagem frontal de 75 mm era um ponto alto, oferecendo proteção real contra os canhões de 76 mm soviéticos a distâncias médias. No entanto, o interior era um ambiente de trabalho brutal. Com quatro homens espremidos em um compartimento baixo, a ergonomia era sacrificada em nome da proteção. O calor, o ruído ensurdecedor do motor e a fumaça dos disparos tornavam cada jornada de combate um teste de resistência física para o comandante, o artilheiro, o municiador e o motorista.
A produção total não passou de 72 unidades, um número modesto ditado pelo caos dos bombardeios aliados que atingiram as fábricas húngaras. Ainda assim, o impacto tático foi notável. Nas batalhas na Galícia e, posteriormente, na defesa desesperada da Transilvânia e de Budapeste, o Zrínyi II mostrou-se um adversário formidável em ambientes urbanos e defensivos. Sua baixa silhueta facilitava emboscadas letais, onde o obuseiro de 105 mm podia ditar as regras antes mesmo de ser detectado.

Houve planos para uma variante antitanque, o Zrínyi I, equipado com um canhão longo de 75 mm, mas o colapso estratégico da Hungria em 1944 impediu que o projeto saísse da fase de protótipo. O que restou na história foi o Zrínyi II: uma máquina que simbolizou o auge da engenharia militar húngara, equilibrando as limitações de uma indústria sob cerco com a necessidade de um poder de fogo esmagador. Mesmo após a queda de Budapeste, alguns exemplares capturados foram integrados ao Exército Vermelho, um testemunho silencioso da qualidade e da robustez deste blindado que, apesar de raro, deixou sua marca de aço na história da guerra.
O Zrínyi II teria mudado o rumo das defesas húngaras se tivesse sido produzido em massa? Compartilhe sua análise técnica nos comentários e ajude-nos a preservar a história dos blindados!
Fonte
- BONHARDT, Attila. The 40/43.M Zrínyi II Assault Howitzer. Museum Restoration Series.
- KLIMENT, Charles K.; BERNÁD, Dénes. Maďarská armáda 1919-1945. Ares Publishing.
- ZALOGA, Steven J. Tanks of Hitler’s Eastern Allies 1941–45. Osprey Publishing.
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