Histórias da FEB: A difícil patrulha brasileira na conquista da Cota 927

Em 15 de abril de 1945, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) avançava pela região de Montese, na Itália, com o objetivo de eliminar focos de resistência alemã após os combates iniciados no dia anterior. O cabo Francisco Pedro de Resende foi designado para integrar uma patrulha de reconhecimento na Cota 927, uma elevação estratégica defendida por tropas alemãs entrincheiradas. A missão ocorria em um momento decisivo da Ofensiva da Primavera, exigindo que os soldados brasileiros vasculhassem áreas densamente minadas sob constante risco de emboscadas.

O ambiente de combate naquelas encostas era marcado por uma urgência sombria. O terreno apresentava-se traiçoeiro, ocultando minas que exigiam cálculos precisos a cada passo dado pelos pracinhas. A visão de companheiros caídos no caminho acentuava o peso psicológico sobre o grupo. “O medo era constante. As minas estavam em toda parte, e qualquer descuido poderia ser fatal. Encontramos um soldado brasileiro morto, e minha consciência pesa até hoje por não termos conseguido trazê-lo de volta”, recordou Francisco sobre a atmosfera de terror sentida na subida da colina.

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O soldado operando seu fuzil com bocal de granada para silenciar as resistências alemãs durante a subida da colina. Imagem ilustrativa gerada com inteligência artificial

A resistência alemã manifestou-se de forma violenta a partir da crista da cota. O avanço brasileiro foi recebido por disparos contínuos de metralhadoras, forçando os homens a buscarem abrigo enquanto tentavam progredir. Francisco, operando um fuzil adaptado para o lançamento de granadas, assumiu a responsabilidade de silenciar os ninhos de resistência. Com um disparo preciso a cerca de 150 metros, ele atingiu uma trincheira inimiga. “A explosão foi certeira, e um soldado alemão levantou os braços em sinal de rendição”, relatou o cabo sobre o momento em que o fogo cessou naquela posição específica.

A captura deste prisioneiro tornou-se o ponto de virada da operação. Através de dois soldados brasileiros que falavam alemão, o comando descobriu que a Cota 927 era defendida por aproximadamente 175 homens. De posse dessa informação vital, a patrulha recebeu ordens para recuar imediatamente. Logo em seguida, a artilharia brasileira iniciou um bombardeio massivo e coordenado sobre a elevação, devastando as defesas alemãs que haviam sido localizadas pelos homens de Francisco.

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O momento crítico da rendição de um soldado alemão após o disparo preciso da patrulha brasileira, resultando na captura de informações vitais. Imagem ilustrativa gerda com inteligência artificial.

No dia 16 de abril, um novo pelotão brasileiro subiu a encosta para consolidar a posição. O cenário encontrado era de destruição total, com diversos soldados inimigos mortos e nenhuma resistência remanescente. A neutralização da Cota 927 permitiu que a FEB consolidasse sua linha de frente, garantindo a segurança necessária para o prosseguimento da ofensiva contra as forças do Eixo em retirada.

Para o cabo Francisco, a experiência naquelas encostas italianas deixou marcas profundas que ultrapassaram o fim do conflito. “Foi uma das experiências mais aterrorizantes da minha vida. As minas, o frio, a tensão de cada disparo, tudo isso permanece vivo em minha memória”, afirmou o veterano. A ação na Cota 927 permanece como um registro do rigor técnico e da coragem pessoal exigidos dos soldados brasileiros nos dias finais da guerra na Europa.


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Fonte:

  • ANVFEB. Arquivos da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira.
  • MORAES, Mascarenhas de. A FEB pelo seu Comandante. Editora Progresso, 1947.
  • MAXIMIANO, Cesar Campiani. Barbados, Sujos e Fatigados: O Soldado Especialista da FEB. Grua Livros, 2010.
  • Diários de Guerra. Relatos de patrulhas do 11º Regimento de Infantaria (11º RI).

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