Do Deserto de El Alamein aos Caminhos da Normandia: A Jornada Real de um Cozinheiro na Segunda Guerra Mundial

Em tempos de guerra, a história costuma destacar generais, tanques e batalhas decisivas. Mas a Segunda Guerra Mundial também foi vivida por homens comuns que, longe dos holofotes, sustentaram o esforço militar em condições extremas. Entre eles estava Stan Baines, soldado britânico cujo relato oferece um raro olhar sobre a vida cotidiana dos combatentes que atravessaram continentes para enfrentar o Eixo.

Depois de sobreviver à retirada de Dunquerque em 1940, uma das operações mais dramáticas da guerra, Baines retornou à Grã-Bretanha junto com milhares de soldados resgatados da França durante a Operação Dínamo. O Exército Britânico iniciou então uma profunda reorganização. Novos equipamentos chegaram às unidades, incluindo os modernos canhões de 25 libras, que se tornariam uma das armas de artilharia mais eficazes dos Aliados.

Estacionado em Holt, no condado de Norfolk, Baines aguardava ordens sem saber qual seria seu próximo destino. A resposta veio em 1942. Embarcado no transatlântico adaptado para transporte de tropas Duchess of Atholl, ele iniciou uma longa viagem que o levaria ao Norte da África.

A travessia foi uma aventura por si só. O navio cruzou o Atlântico sob constante ameaça dos submarinos alemães. O percurso incluiu escalas em Freetown, na então Serra Leoa britânica, e depois na Cidade do Cabo, na África do Sul. Em meio à tensão da guerra, Baines recordaria a hospitalidade dos moradores locais, que se ofereciam para escrever às famílias dos soldados informando que eles estavam vivos e seguros.

Após oito semanas de viagem, o navio chegou ao Egito, desembarcando em Port Tewfik, próximo ao Canal de Suez. O destino final era o campo de El Tahag, nos arredores do Cairo. Ali começava uma nova etapa.

Baines servia como cozinheiro de uma unidade de quartel-general da artilharia. Sua missão parecia simples, mas era vital. Alimentar homens que operavam sob condições extremas exigia criatividade e resistência. Os suprimentos incluíam carne fresca quando disponível, batatas-doces, repolho desidratado, melancias, carne enlatada e o tradicional leite condensado Carnation.

Enquanto os soldados se adaptavam ao clima do deserto, tiveram oportunidade de conhecer o Cairo e Alexandria. As pirâmides do Egito surgiam como uma paisagem quase surreal diante de homens que sabiam estar próximos de um dos confrontos decisivos da guerra.

Na noite de 23 de outubro de 1942, a tranquilidade desapareceu. Era o início da Segunda Batalha de El Alamein. Sob o comando do general britânico Bernard Montgomery, milhares de peças de artilharia abriram fogo contra as posições alemãs e italianas lideradas pelo marechal Erwin Rommel.

Baines estava lá.

Ele descreveu o bombardeio como um momento em que o inferno parecia ter sido liberado sobre o deserto. Nos dias seguintes, as forças do Eixo começaram a recuar. A perseguição atravessou a Líbia em meio a tempestades de areia, veículos destruídos e colunas de prisioneiros italianos e alemães.

Mesmo longe da linha de frente, o perigo era constante. Em uma ocasião, um projétil de artilharia explodiu próximo ao veículo em que viajava. Um companheiro foi atingido por estilhaços nas pernas e precisou ser evacuado. A guerra atingia a todos, independentemente da função exercida.

Com a vitória em El Alamein consolidada, a unidade foi transferida para a região da fronteira entre o Iraque e a Pérsia. Mais tarde, Baines seguiu para um centro de treinamento próximo a Beirute. Foi ali que contraiu a chamada febre da mosca da areia, doença comum no Oriente Médio durante a guerra.

A enfermidade acabou mudando seu destino. Hospitalizado no Líbano e posteriormente em Sarafand, na Palestina, ele perdeu o reencontro com sua unidade original. Quando recebeu alta, descobriu que seus antigos companheiros haviam sido enviados para a Itália, participando da invasão aliada iniciada após os desembarques em Salerno, em setembro de 1943.

Transferido para o 76º Regimento de Artilharia de Campo Highland, Baines retornou à Grã-Bretanha. Sem saber, aproximava-se de outro capítulo decisivo da história.

Depois de sobreviver a Dunquerque, cruzar oceanos, enfrentar o deserto africano e escapar dos perigos do Oriente Médio, ele se preparava para participar da maior operação anfíbia já realizada.

O próximo destino seria a Normandia.


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