Skip to content

Portal Segunda Guerra Brasil

Sua revista virtual sobre a Segunda Guerra Mundial

Menu
  • Brasil na Guerra
    • FEB
    • FAB
    • Marinha
    • Front Interno
    • Defesa da Costa
    • Herois do Brasil
  • Curiosidades
    • Você sabia?
    • Arquivo 39-45
  • Geopolitica
  • Holocausto
  • Mulheres na Guerra
  • Tecnologia & Armas
  • História
    • Nazismo
    • Américas na Guerra
      • América do Sul
      • América Central
      • América do Norte
      • Caribe
    • Biografias
    • Africa
    • Asia
    • Europa
    • Oriente Médio
  • Séries
    • Os Porquês da Segunda Guerra
    • Soldados Japoneses por Eles Mesmos
  • Livros
Menu

O Teco-Teco que Abriu os Olhos da Artilharia: O Primeiro Voo de Guerra da 1ª ELO

Posted on 24 de junho de 202624 de junho de 2026 by Ricardo

Em 12 de novembro de 1944, um pequeno Piper L-4 deixou o campo de San Giorgio, na região de Pistóia, para cumprir uma missão que parecia modesta diante da violência da Segunda Guerra Mundial. Não levava bombas, metralhadoras ou blindagem. A bordo estavam o 1º tenente aviador João Torres Leite Soares e o 1º tenente do Exército Oswaldo Méscolin. Aquele voo de reconhecimento marcou a primeira missão de guerra oficial da 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação, a 1ª ELO.

A novidade estava justamente na fragilidade da aeronave. O Piper L-4 era uma adaptação militar de um avião civil. Tinha estrutura leve, revestimento de lona e motor de apenas 65 cavalos. Era conhecido pelos norte-americanos como Grasshopper, gafanhoto, por pousar e decolar em pistas curtas. Para os brasileiros, tornou-se simplesmente o teco-teco.

Mas o tamanho enganava. O piloto conduzia o avião enquanto o observador identificava estradas, posições, deslocamentos, depósitos e possíveis alvos. Pelo rádio, as coordenadas eram transmitidas às centrais de tiro da Artilharia Divisionária da Força Expedicionária Brasileira. Minutos depois, os obuses de 105 e 155 milímetros poderiam alcançar um ponto que, do solo, permanecia escondido por montanhas, árvores ou construções.

A 1ª ELO havia sido criada em 20 de julho de 1944. Seu pessoal embarcou com o 3º Escalão da FEB em 22 de setembro e chegou a Nápoles em 6 de outubro. O tempo de preparação fora curto. No Brasil, os homens treinaram com aviões PT-19, de asa baixa, inadequados para observar o terreno. Somente na Itália receberam os Piper e começaram a adaptação, em 5 de novembro, no campo de San Rossore, um antigo hipódromo transformado em pista.

Sete dias depois, Soares e Méscolin entraram oficialmente em combate.

A dupla representava uma cooperação incomum. O piloto pertencia à FAB. O observador era oficial de artilharia do Exército. Dentro da cabine estreita, não havia espaço para disputa entre forças ou patentes. O piloto comandava a aeronave. O observador dominava a leitura do terreno, das cartas e do tiro. A sobrevivência dependia da comunicação entre os dois e da rapidez da equipe em solo.

Existe, porém, um detalhe pouco conhecido. Antes dessa missão registrada, o tenente Elber de Mello Henriques realizou um voo de observação em uma unidade norte-americana. Nas proximidades de Castelnuovo di Garfagnana, ele identificou viaturas descarregando homens e material. Ao regressar, alertou sobre a possibilidade de um ataque. Segundo seu depoimento, o aviso não recebeu a atenção esperada. Na noite de 31 de outubro, tropas alemãs contra-atacaram e obrigaram os brasileiros a recuar. Esse episódio foi um voo precursor, mas não substitui a data de 12 de novembro como início oficial das operações de guerra da esquadrilha brasileira.

A missão de San Giorgio abriu uma rotina perigosa. Cada aparelho voava sem proteção para a tripulação, exposto ao fogo antiaéreo, ao relevo dos Apeninos, ao inverno e à formação de gelo no carburador. Uma missão durava, em média, quase duas horas. O pequeno avião precisava permanecer sobre as linhas inimigas tempo suficiente para enxergar o que os alemães tentavam ocultar.

A partir daquele primeiro registro, a 1ª ELO acompanhou o avanço da FEB, operando em áreas como Monte Castelo, Montese, La Serra e Collecchio. Dados do Museu Aeroespacial apontam 1.654 horas de voo, 682 missões de guerra e mais de 400 regulações de tiro durante a campanha italiana.

Naquele 12 de novembro, não houve uma grande explosão para anunciar a entrada em combate. Houve um avião lento, dois militares e uma missão de reconhecimento. Era assim que a 1ª ELO começava a guerra, observando em silêncio para que a artilharia brasileira pudesse atingir com precisão.

Compartilhe isso:

  • Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+

Curtir isso:

Curtir Carregando...

Relacionado


Descubra mais sobre Portal Segunda Guerra Brasil

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma respostaCancelar resposta

Páginas

  • Nossos colaboradores
  • Política de Privacidade

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Junte-se a 879 outros assinantes

Adolf Hitler artilharia aviação Batalha do Atlântico campanha da itália caribe combate Crimes de Guerra dia d diplomacia diplomacia de guerra Engenharia Militar Estratégia Militar Exército Britânico FEB Força Expedicionária Brasileira frente oriental geopolítica Guerra do Pacífico HistoriaMilitar História história militar Holocausto Infantaria Itália Japão Imperial luftwaffe manchúria marinha memória montese Nazismo Neville Chamberlain Polônia Pracinhas Resistência SegundaGuerra segunda guerra Segunda Guerra Mundial SegundaGuerraMundial Submarinos alemães Terceiro Reich Tratado de Versalhes U-boats uboat

Estatísticas do blog

  • 30.464 cliques

Siga-nos

  • Facebook
  • Instagram
  • Facebook
© 2026 Portal Segunda Guerra Brasil | Powered by Minimalist Blog WordPress Theme

Entre no gruopo

%d